sábado, 13 de agosto de 2011

Férias - Parte III: Porto Alegre

Infelizmente meu post sobre Porto Alegre será pobre de fotografias, pois justo no dia de um passeio turístico eu fiquei sem bateria na câmera e a Mari, que registrou tudo, não me mandou até hoje as fotos dela.

Hospedagem - Lido Hotel

Pontos positivos:
- Localização privilegiada. Só. Escolhi esse hotel porque ficava numa região bem central, sem ser perto de rodoviária (esses costumam ser perigosos =P), e pelo site não parecia ruim. E voltamos de táxi algumas vezes, pagando pouco em todas graças à localização.

Pontos negativos:
- O resto. Ok, era limpinho, mas o banheiro tinha cortina em vez de box, o café era bem pobre e o quarto apertado. Não voltarei a me hospedar lá. Vou preferir ficar em um bairro, tem várias opções, incluindo o Íbis, que costuma ser agradável (embora também careça de um café da manhã decente).

Cidade

A arquitetura da região central de Porto Alegre é muito bonita! Catedral, Teatro, museus, prédios antigos, Mercado Municipal, todos com o que me pareceu uma pequena influência gótica, e repletos de esculturas complementando seu design. Me lembrou um pouco a região da Sé e da Rua Direita em São Paulo, mas reforçada pelas estátuas.

Pontos positivos:
- A arquitetura, definitivamente;
- O jeitão de cidade grande. O comércio na região central é intenso, e me pareceu ser possível resolver qualquer problema nas redondezas, ao contrário de Brasília, que não possui um centro propriamente dito e onde precisamos andar muito para cuidar de pendências;
- O transporte público: não sei se foi apenas uma impressão, mas a cidade me pareceu extremamente bem abastecida de ônibus. O centro possui vários terminais que apenas facilitam o embarque, ficando pendente uma integração. Mas todas as minhas buscas demonstraram uma grande variedade de ônibus;
- A cultura: a cidade possui muitos museus, apresentações de orquestra, teatro, shows, etc. Me pareceu ter mais possibilidades culturais que Brasília. Também senti que é uma cidade repleta de opções de lazer, não só culturais, mas também gastronômicas e turísticas;
- Os parques: um típico hábito gaúcho de inverno é o de ir para um dos numerosos parques da cidade sentar sob o sol aproveitando a cuia de chimarrão enquanto o frio inferior a 10, 12 graus enregela os ossos.

Pontos negativos:
- Violência: antes da viagem, pesquisei e percebi que PoA seria o ponto mais perigoso da viagem. Assim, tirei pouquíssimas fotos na rua, com receio de expor a minha câmera e a situação de turista.

Pontos Turísticos

Recomendo:
- Passeios em ônibus turístico: há dois trajetos, um mais central e um pela zona sul, e recomendo que os dois sejam feitos! Se possível, não deixem de ir na parte de cima, que proporciona uma visão espetacular do Lago Guaíba, das antigas mansões da cidade, da bela arquitetura central, entre outros pontos interessantes. Fizemos os dois trajetos e foi o melhor da viagem, apesar do frio terrível que passamos às margens do lago na parte de cima do ônibus. E é uma forma de tirar boas fotos em segurança;
- Apresentações da OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre). Pudemos prestigiá-la no auditório da UFRGS e foi esplêndido;
- Parque Farroupilha: vale muito a pena caminhar pela região central nas geladas manhãs de domingo, inclusive pelos parques. O que mais me chamou a atenção foi o Farroupilha, muito agradável!

Não vale o esforço:
- Museu de Ciência e Tecnologia da PUC: o Guia Quatro Rodas fez um estardalhaço em cima desse museu e confesso que me desapontou um pouco. É muito válido para crianças, pois há muitas atrações interativas. E toma um bom tempo, reserve umas três a quatro horas para rodar nos extensos três andares do local. Mas sinceramente, não valeu a pena. Nada foi realmente interessante, infelizmente;
- Mercado Municipal: todos os mercados empalidecem perto do de São Paulo, hehehe. O de Porto Alegre não é tão ruim, mas fica numa área meio perigosa do centro e não oferece nenhum diferencial.

Gastronomia

- Applebee's: não fomos a nenhum restaurante típico. Me arrependi de não ter ido a uma autêntica churrascaria gaúcha (depois fomos na Serra, mas acho que deveríamos ter ido aqui também). Então citarei apenas dois lugares, que não valem taaaanto a pena assim e que existem em outras cidades, mas eu nunca havia ido. A Applebee's é o primeiro. Seguindo o melhor estilo Outback, tudo estava bem saboroso, inclusive as sobremesas. Mas entre os dois, prefiro o Outback;
- Joe & Leo's: também é mais ou menos no mesmo estilo, mas é o único brasileiro no meio de Outback, Applebee's, Capital, Roadhouse, TGI Fridays, Hooters e similares. Estava saboroso também.


Algumas fotos (clique para ampliar):

A única foto que consegui tirar do passeio turístico antes da bateria acabar


Arquitetura de Porto Alegre (by Google)


Arquitetura de Porto Alegre (by Google)


Arquitetura de Porto Alegre (by Google)


Arquitetura de Porto Alegre (by Google)


Arquitetura de Porto Alegre (by Google)


Arquitetura de Porto Alegre (by Google)


Arquitetura de Porto Alegre (by Google)


Arquitetura de Porto Alegre (by Google) - esse é o Shopping Total, que aproveitou um edifício antigo


Vista da Zona Sul com o Lago Guaíba ao fundo (by Google)


Jantar no Joe & Leo's


Eu na decoração do Joe & Leo's

domingo, 24 de julho de 2011

Férias - Parte II: Blumenau

Um mês após a Parte I, finalmente dou continuidade aos posts sobre as férias. =P
Saímos de Floripa na metade da manhã de ônibus rodoviário com destino a Blumenau, uma das cidades mais alemãs do Brasil, palco da famosa versão nacional da Oktoberfest. Passamos apenas um dia e meio na cidade, mas foi praticamente suficiente.

Hospedagem - Hotel Viena Park

Pontos positivos:
- Localização privilegiada a 15 minutos a pé do centro de Blumenau;
- Bem mais chique do que seu preço. Ou melhor, imagino que tenha sido um hotel de luxo um dia e que talvez hoje esteja meio decadente. Mas a fachada imponente, a lareira na recepção, as rampas e os corredores e o quarto são de primeira linha, bem como o atendimento;
- O café da manhã, talvez o mais farto da viagem e que só pudemos experimentar uma manhã, já que saímos na madrugada da outra.

Hotel (retirei do Google, esqueci de fotografá-lo de dia e à noite ficou escuro =P)

Pontos negativos:
- Banheiro gelado. O aquecedor faz um bom trabalho no quarto, mas o banheiro era congelante. Meu esquema era abrir o chuveiro e só então me despir para o banho enquanto tudo esfumaçava.
Observações: se eu voltar a Blumenau, toparia me hospedar no Viena Park novamente, mesmo que não pegue uma promoção tão boa quanto pegamos dessa vez.

Cidade

Há três lugares turísticos: o parque onde ocorre a Oktoberfest; a Vila Itoupava, onde há descedentes vivendo praticamente como seus antepassados alemães; e o centro. Como nossa passagem foi breve, visitamos apenas este último.

Pontos positivos:
- Blumenau me passou um sentimento bastante acolhedor! Fomos a uma cafeteria onde provei uma fabulosa Torta Alemã e a senhora que tomava conta do lugar puxou assunto conosco por longos minutos.

Pontos negativos:
- Não há tantos atrativos. Mesmo quem for na Oktoberfest, creio que 4 dias sejam mais que suficientes para passear pela cidade. Mas as redondezas são repletas de colônias de alemães e descendentes, então um passeio mais longo pode cobrir outras cidades da região conhecida como Vale Europeu.

Pontos Turísticos

Recomendo:
- Rua XV de Novembro: a rua mais tradicional de Blumenau, com muitas casas no estilo arquitetônico enxaimel, tradicional europeu (popular na Alemanha) de construção de casas de madeira à base de encaixe;

Na rua XV de Novembro

- Catedral: construída numa área bem mais alta da XV de Novembro, sua amplitude e o estilo curioso chamam a atenção.

Interior espaçoso da Catedral

Não vale o esforço:
- Complexo Hering: a famosa malharia foi fundada em Blumenau e sua principal fábrica até hoje fica na cidade. O Museu Hering é gratuito e mostra as origens da companhia, a família Hering e sua vinda para o Brasil, teares antigos, o processo de transformação do algodão bruto em malha e até fotos e vídeos de campanhas publicitárias de sucesso. Ainda assim, só vale o esforço se a agenda tiver bastante espaço. Da mesma forma, o famoso Outlet nada mais é que uma loja normal, mas do tamanho de uma C&A ou Renner, com os mesmos preços das lojas espalhadas nos shoppings Brasil afora;
- Museus: fomos a um museu de objetos antigos localizado em três casas da primeira metade do Século XX, mas honestamente não vale o esforço, inclusive era muito similar a um outro lugar visitado depois na Serra Gaúcha; fomos a uma galeria de arte, mas a exposição era abstrata demais para nosso gosto; fomos ao Museu da Cerveja e não teve a menor graça. Todos só devem ser visitados com tempo sobrando.

Gastronomia

- The Basement: um pub mais irlandês que alemão, mas muito agradável. Localizado num subsolo na região central, conta com cervejas artesanais e petiscos avantajados (comemos um fish & chips gigantesco) e ambiente sombriamente agradável;

Eu e a Mari no The Basement

- Frohsinn Extra Gut: o restaurante alemão mais famoso de Blumenau é o Abendbrothaus, mas ficava muito distante, precisava de reserva e acabamos deixando de lado. Assim fomos para a segunda opção, o agradabilíssimo Frohsinn. Infelizmente, minha companheira de viagem não se dignou a provar o marreco recheado (aliás, o do Abendbrothaus é considerado o melhor do país), então tive que me contentar com salsichões. Mas todo o serviço do lugar, a vista espetacular e a qualidade culinária valem o preço um pouco mais salgado;

Degustando a entrada (ilimitada, diga-se de passagem) do Frohsinn

- Trattoria Di Mantova: bem próximo ao hotel, tivemos um banquete italiano numa das melhores refeições da viagem. Pedimos simples canelones de queijo e presunto, mas o molho era divino e decidimos encarar uma garrafa de vinho tinto para aquecer e acompanhar a massa, então saímos de lá felizes. Eu inclusive senti meu labirinto alterado pela primeira vez na vida, hehehe;
- Cervejarias artesanais: Blumenau é um grande polo produtor de cervejas, sendo a mais famosa a Eisenbahn. Não chegamos a visitar uma das cervejarias, até porque ficavam distantes e precisaríamos usar ônibus ou táxi, mas quem gostar de cerveja não deve sair da cidade sem antes conhecer a produção Eisenbahn!


Mais algumas fotos (clique para ampliar):

Casa em estilo enxaimel


Casas enxaimel na XV de Novembro


XV de Novembro, com o Castelinho Havan ao fundo. A Havan é uma loja no estilo Pernambucanas


Belíssima Prefeitura de Blumenau (fiquei com vontade de trabalhar ao lado de uma dessas janelas =P)


Locomotiva Macuca (tem esse nome por se assemelhar ao pássaro Macuco)


Vista do Frohsinn (a região mais central de Blumenau à esquerda, um bairro moderno ao fundo, o Rio Itajaí abaixo - corta toda a cidade - e do lado direito a estradinha que usamos para chegar ao restaurante - de táxi)


Bela flor

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Férias - Parte I: Florianópolis

Hello, pessoal! Finalmente pude fazer uma viagem de férias decente! Minha amiga Mari Sathie me acompanhou numa louca aventura por Florianópolis, Blumenau, Porto Alegre e Serra Gaúcha. Claro que "louca" não se aplica muito a uma viagem planejada por mim, já que gosto de esquematizar o máximo possível de antemão. De toda forma, como foi uma viagem de 20 dias eu deixei várias brechas e preferi ir montando a programação aos poucos. Ou melhor, eu e a Mari tínhamos selecionado o que queríamos conhecer de cada lugar e na véspera apenas encaixávamos os itens em uma agenda viável para o dia seguinte. Claro que encontramos alguns problemas, mas foram pequenos em comparado com os pontos positivos do passeio. Vou fazer alguns posts sobre a viagem e esse é o primeiro. Minha ideia aqui é resumir os pontos positivos e os negativos de cada destino, dar sugestões de passeios e gastronomia e mostrar algumas fotos (cliquem para ampliar). A Mari ainda me deve as fotos da câmera dela e isso vai prejudicar um pouco os posts, que poderão ser atualizados depois.

Hospedagem - Pousada Colinas da Lagoa

Pontos positivos:
- Localização privilegiada no Centrinho da Lagoa, uma região relativamente próxima tanto do centro como de algumas praias e bem servida de restaurantes e bares;
- Quarto espaçoso, com camas confortáveis, tv LCD e até geladeira, fogão e pia.


Pousada Colinas da Lagoa

Pontos negativos:
- Falta de aquecedor no quarto (fez bastante frio nos dias que passamos em Floripa, então tivemos que dormir agasalhados e com cobertores);
- Café da manhã mediano (não é ruim, mas a variedade é pouca).
Observações: se eu voltar à Floripa, pretendo me hospedar na Colinas da Lagoa novamente, acho que a localização acaba fazendo valer a pena. E a pousada é aconchegante, apesar dos pontos negativos.

Cidade

É verdade o que dizem: Floripa funciona no verão e descansa o resto do ano. Acho que ir no ápice da alta temporada não é uma boa, pois a população da cidade dobra e o trânsito se torna insuportável, mas nos meses de outubro e novembro, talvez em março também, o clima é agradável e deve ser possível curtir melhor os atrativos naturais da ilha.

Pontos positivos:
- O principal pra mim é o relevo. Já do avião fiquei impressionado. Eu imaginava uma ilha plana com várias praias e uma grande lagoa no meio. Mas a capital de Santa Catarina conta com inúmeros morros que, diferente dos cariocas, não possuem favelas, mas sim vegetação. Para chegar no Centrinho da Lagoa, descemos uma estrada estreita e extremamente inclinada, um percurso que permite vislumbrar um cartão postal da Lagoa da Conceição. O mapa abaixo passa uma noção da geografia privilegiada do lugar: praia para todos os lados. A cidade existe praticamente no Centro e nas regiões ao redor dos nomes de praias e das vias verde-escuro. Todo o restante da área verde-claro é vegetação nativa;

Mapa de Florianópolis

- As praias. Dizem que há praia para todos os gostos, ou seja, com ondas fortes para surf, ondas médias, sem ondas, etc. Nós visitamos apenas a praia da Joaquina, pois era a mais próxima de nossa localização (estávamos mais ou menos no pontinho que marca "Lagoa da Conceição") e fazia muito frio para arriscar um banho;
- Os frutos do mar, para quem aprecia, o que não é exatamente o meu caso (nem o da Mari). Chegamos a provar ostras, que eu nunca tinha experimentado. Não tive coragem de pedir a crua, apenas a gratinada, mas até que não foi ruim como eu esperava. Mas todos recomendam as sequências de camarão. Então, quem gostar, aproveite;
- Segurança: Florianópolis me pareceu um lugar muito tranquilo, exceto, claro, na região mais central. Mas até andamos de ônibus perto da meia-noite e fomos a pé do terminal para a pousada, sem medo algum;
- A variedade de bares e restaurantes: mais sobre isso na seção de gastronomia.

Pontos negativos:
- Limitada às praias. Essa é a grande verdade. Claro, há boa culinária, mas a cidade não tem grandes atrativos culturais. Então não sugiro a visitação durante o frio. Minha dica é mesmo ir em outubro, para esticar até Blumenau e aproveitar a Oktoberfest (especialmente pros quem curtirem cerveja, mas parece ser uma festa divertida para todos);
- Há passeios de escuna ao redor da ilha, para conhecer fortes históricos e o litoral como um todo. Imagino que seja bem agradável, mas graças à baixa temporada, não conseguimos fazer um passeio. Há uma grande redução e no dia que ligamos para agendar, não ia haver o principal, só um secundário, pro qual não daria mais tempo de chegar. Então, baixa temporada nunca mais;
- O relevo da ilha. Sim, o mesmo que a torna uma das mais belas cidades que já visitei, a transforma em um lugar muito complicado de viver. Os morros e as matas impedem a construção de rodovias mais diretas, então tudo é longe e a malha de transporte rodoviário é deficiente (embora conte com terminais de integração organizados e agradáveis). Quero com isso dizer que: ou os visitantes se hospedam diretamente em uma praia e ficam curtindo apenas aquele lugar; ou alugam um carro. Perdemos o passeio de escuna porque o ônibus para o local passava de hora em hora e levava uma hora e meia para chegar lá, já que não há muitas opções de trajeto e ele precisa dar mais voltas do que deveria para pegar mais passageiros. De carro, chegaríamos em 45 minutos, provavelmente.

Pontos Turísticos

Recomendo:
- Praça XV de Novembro, onde há uma figueira centenária e colossal! Não consegui fotografá-la adequadamente, mas baixei a foto abaixo do Google para tentar ilustrar as dimensões da árvore;

Figueira da Praça XV de Novembro

- Casa da Alfândega. A lojinha de artesanato é muito variada e os preços são agradáveis. Comprei muitas lembrancinhas bonitas por preço reduzido;
- Centrinho da Lagoa. Caso se hospede em outra região, não deixe de ir ao Centrinho da Lagoa, para apreciar a vista da descida ladeirosa e conhecer os bares e cafés;
- Pôr-do-sol no continente. O lugar mais interessante me pareceu a Av. Beiramar Norte. É possível fotografar a histórica Ponte Hercílio Luz e o belíssimo pôr-do-sol em uma avenida extremamente agradável, para mim mais interessante que a Av. Boa Viagem de Recife, por exemplo, seja para caminhar após o expediente ou visitar um dos restaurantes convidativos;

Pôr-do-sol com o continente ao fundo, foto tirada de um banquinho na Av. Beiramar Norte

- Shoppings: visitamos o Iguatemi e o Beiramar e são ambos agradáveis. Claro, ir a Floripa pra ver shopping, ninguém merece! =P Mas pode ser uma opção em caso de dia chuvoso e sem praia. Esses dois citados possuem acesso relativamente fácil.

Não vale o esforço:
- Mercado Municipal. What? Fui esperando o Mercado Municipal de São Paulo e encontrei um camelódromo + feira de peixe + bares. Visitamos o Box 32 para comer ostras, mas é melhor ir na praia mesmo. Por outro lado, é vizinho da Casa da Alfândega e muito próximo da figueira, então vale passar no meio. E só;
- Catedral: novamente, fica ao lado da Praça XV de Novembro, então vale entrar pra ver, mas não é especialmente bonita, só comum. Não conseguimos visitar os museus da Casa Rosada e Victor Meirelles, por problema de horário. São próximos da região também. O primeiro parece interessante, por mostrar a história da região.

Gastronomia

- Guacamole: restaurante mexicano na Av. Beiramar Norte que merece uma visita. Funciona apenas à noite e é meio bar, meio restaurante. Não pudemos provar tudo, mas recomendo fortemente as enchilladas, as melhores que já provei! A Mari recomenda os drinks. =P Às 21h, começa o show dos Mariachis e é super empolgante! Eles visitam mesa a mesa e cantam conforme pedido dos presentes. Também tem uma tequileira divertida e que ficou tentando me convencer a beber uma dose. Coitada... =P Foi um dos melhores passeios da cidade, então não deixem de conhecer;

Hola, muchachos!

- Cafés da Lagoa: não sei se esses cafés terão a mesma graça na época mais quente, mas no frio eram uma delícia. Conhecemos dois, ambos com música ao vivo e quitutes saborosos;
- Box 32: não é fundamental, mas se quiser aproveitar o passeio pelo centro para conhecê-lo, não dará viagem perdida. Os preços são salgados, mas tudo que provamos estava gostoso: bolinho de bacalhau, escondidinho de bacalhau e ostras gratinadas.


Mais algumas fotos:


 Foto do avião exibindo o relevo da ilha


MC Elvis na Lagoa da Conceição

Lagoa da Conceição

O outro lado da Lagoa da Conceição

Morros de vegetação na saída do Centrinho da Lagoa - foto tirada da janela do ônibus

Vista da subida para sair do Centrinho da Lagoa - foto tirada da janela do ônibus

Casa Rosada - Palácio Cruz e Souza - à esquerda fica a Praça XV de Novembro, a foto foi tirada da frente da Catedral

Fachada do Box 32

Ostras gratinadas

Ponte Hercílio Luz

Com os Mariachis no Guacamole

Na deserta e gélida Praia da Joaquina =P

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 - Parte II

Há três pontos principais a serem comentados nesse post: a cerimônia, os vencedores e o bolão.

A cerimônia foi morna. Eu não acho que o problema resida nos apresentadores, porque todo ano os trocam e não melhora muita coisa. Eu achei muito bom o clipe do início, brincando com o elevador dos sonhos de Leonardo DiCaprio em A Origem; as apresentações musicais foram razoáveis; o número da orquestra em homenagem às trilhas sonoras era promissor, mas foi muito curto; algumas ideias foram interessantes, como falar de cada categoria, mas mal-aproveitadas. No geral, a apresentação de James Franco e Anne Hathaway foi fraquinha. O curioso é que eles saem cortando tudo e continuam com problemas de atraso. Não seria melhor aceitar logo que a festa precisa de mais uma hora? Ou meia.

Vamos aos vencedores:
- O Discurso do Rei: Filme, Diretor, Ator e Roteiro Original. Filme e Ator eram óbvios. Diretor eu acreditava que poderia ser dado para Fincher como consolação por A Rede Social não levar o prêmio principal. E Roteiro, sobretudo, eu realmente pensei que iriam se desculpar com Nolan por não terem indicado Montagem e Direção de A Origem. A Academia não entendeu o filme, só pode ter sido isso.
- A Origem: Edição de Som, Mixagem de Som, Efeitos Visuais e Fotografia. Os três primeiros eram esperados, mas Fotografia surpreendeu um pouco e eu achei excelente.
- A Rede Social: Roteiro Adaptado, Montagem e Trilha Sonora. Os dois primeiros eram esperados, o último poderia ter perdido para Discurso do Rei, ainda bem que não aconteceu.
- Toy Story 3: Animação e Canção. apesar de adorar a animação, eu não gostei da música do Randy Newman. Podem me apedrejar. =P Achei a mais fraca das quatro indicadas e até achei que a de Enrolados seria a premiada, por ser parte de um musical.
- Alice no País das Maravilhas: Figurino e Direção de Arte. Ambos os prêmios são merecidos, mas eu ainda acho a Direção de Arte de A Origem mais complexa.
- O Vencedor: Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante. Prêmios merecidos, foi ótimo saber que a campanha falha de Melissa Leo não sabotou a votação.
- Cisne Negro: Atriz. A maior barbada da noite, não havia chance de não dar Natalie Portman aqui.
- O Lobisomem: Maquiagem. Também não é nenhuma surpresa, mas pensei realmente que pudesse ser diferente.
- Demais prêmios: fiquei muito feliz por ter acertado o Curta Live-Action e o Documentário Curta. São categorias bem difíceis. Também fiquei feliz com a vitória de The Lost Thing como Curta de Animação, pois o filme é tocante e muito bem realizado. A vitória de Em Um Mundo Melhor surpreendeu pela obviedade em uma categoria que costuma chocar e Inside Job mereceu sua vitória como Documentário.
- Palpites que errei mas deveria ter acertado: Roteiro Original (acreditar que dariam a consolação a Nolan foi ingênuo), Canção (eu devia ter prestado atenção no prestígio de Randy Newman e no impacto emocional da música), Maquiagem (arrisquei demais ao achar que a Academia buscaria a variedade) e Filme Estrangeiro (era óbvio que seria Em Um Mundo Melhor, tão óbvio que desconfiei =P). Se eu tivesse acertado estas, teria feito 18 pontos em vez dos 14 e venceria o bolão. Ano passado acertei 16.

E então chegamos ao bolão. Tivemos 46 participantes, o que me deixou muito contente. Destes, três acertaram 16 palpites: a Denise do Egito (@DenisedoEgito), a Mariana Bergo (@maribergo) e o Yago (@heythereyago). Se alguém quiser ver seu desempenho, é só clicar aqui. A planilha possui três abas: a primeira contabiliza os votos, a segunda o resultado e a terceira conta os pontos. A primeira possui o instante do voto, então a @samantha0588 e a @ASortuda foram desclassificadas por terem votado depois das 21h. Obrigado a todos pela participação! Nos vemos em 2012!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 - Parte I

Finalmente chegou o dia da premiação mais famosa do cinema mundial. Sabemos que não é a melhor nem a mais justa, mas ainda assim é uma noite das mais especiais do ano para mim. Pode ver os artistas longe dos seus papéis, especular quem será o vencedor em cada categoria, se desapontar ao ver nossos favoritos perdendo, tudo faz parte do charme do Oscar. Há muitos anos meu amigo Gilvan (@papospops) e eu fazemos um bolão para ver quem acerta seus palpites no maior número de categorias. Esse ano, entusiasmado por conversas no Twitter com a Mariana (@maribergo) e o Bruno (@bmaranhas), decidi ampliar o foco e fazer um bolão aberto a quem quisesse participar. Então, ainda dá tempo, até 21:00 no horário de Brasília os palpites serão aceitos. Se quiser participar, clique aqui.

Assisti 36 longas e 6 curtas esse ano, totalizando 42 filmes. Me faltaram 4 curtas documentários, os 5 curtas live-action, Em Um Mundo Melhor, Incêndios, Country Strong, A Tempestade e Minha Versão do Amor.
Sem mais, deixo-os com a cédula oficial do Oscar contendo meus palpites (cliquem para ampliar):


Esse ano há categorias com um grau de imprevisibilidade maior. Abaixo listo-as, pela minha ordem da preferência (da que eu mais gostaria que ganhasse para a menos) e faço alguns comentários:


Melhor Documentário de Curta Metragem
    * Sun come up
    * Strangers no more
    * The warriors of Qiugang
    * Killing in the name
    * Poster girl

É uma categoria difícil. Sun Come Up fala de aquecimento global, uma ilha que será coberta pelo mar e a necessidade de sua população procurar outro lugar para viver. Strangers no More apresenta uma escola em Israel que possui alunos de 48 países diferentes, promovendo a união entre credos e culturas distintas. The Warriors of Quigang, o único que pude assistir, apresenta os problemas causados pelos dejetos de fábricas de produtos químicos em um vilarejo chinês. Killing in the Name mostra um islâmico revoltado com os homens-bomba. E Poster Girl uma garota traumatizada pelo pós-guerra. Ou seja, um filme sobre terrorismo, outro sobre os traumas da guerra, dois relacionados à natureza e sua devastação pelo progresso e um sobre a união e o fim do preconceito. Todos possuem temas caros à Academia, mas dada a grande parcela de judeus em Hollywood, decidi apostar em Strangers no More.


Melhor Documentário
    * Exit Through The Gift Shop
    * Inside Job
    * Lixo Extraordinário
    * Gasland
    * Restrepo

Esta é talvez a categoria mais difícil da noite. Pude assistir aos cinco e são todos excelentes! Restrepo apresenta cenas impressionantes gravadas em um vale no Afeganistão durante a incursão de tropas americanas para tentar abrir uma estrada que passe pelo meio da região, hostilizada pelos nativos. Os americanos têm um fraco por guerras, e o documentário traz depoimentos fortes o suficiente para comover os membros da Academia.
Gasland divulga o grave problema causado pelos poços de gás natural perfurados por todo o território americano. O documentarista vem sendo processado e as acusações negadas pelas companhias, o que pra mim reforça a veracidade dos fatos. Me parece irreal que o documentarista Josh Fox tenha forjado tudo. Fiquei com extremo receio do mesmo problema ocorrer nas reservas imensas de gás natural exploradas pelos brasileiros e bolivianos.
Lixo Extraordinário é o conhecido documentário sobre o artista plástico brasileiro Vik Muniz e suas obras realizadas no aterro sanitário de Gramacho, no Rio de Janeiro. É o mais emocionante dos cinco concorrentes e as obras de Vik são muito badaladas nos EUA, então tem boas chances de abocanhar o careca dourado. Lamentavelmente, a inglesa Lucy Walker vem escondendo o trabalho dos co-diretores brasileiros e tentando aparecer sozinha. Mas seria bom ver o Brasil indiretamente ganhando um Oscar.
Inside Job é sem sombra de dúvida o mais bem-produzido dos cinco concorrentes. Câmeras com alta definição, orçamento alto, muitas pessoas importantes sendo entrevistadas e até a narração é feita por Matt Damon. E o documentário não desaponta: explica didaticamente o motivo que levou à grande crise econômica de 2008 e, meio como a linha de documentários Zeitgeist, vilaniza os grandes banqueiros americanos. A verdade é que é impressionante como os EUA são indiretamente governados por seus banqueiros. No Brasil não ocorre nada similar, mas infelizmente somos afetados pelas ações deles graças à globalização.
Por fim, Exit Through the Gift Shop nos apresenta ao francês radicado nos Estados Unidos Thierry Guetta, uma figura inusitada que não consegue largar a câmera e acaba produzindo toneladas de rolos de filme sobre os grafiteiros mundo afora, incluindo o misterioso Banksy, que acaba se decidindo por pegar para si os rolos de filme e montar este documentário. Os artistas mais jovens adoram Banksy, inclusive podemos ver Angelina Jolie e Brad Pitt presentes na exposição registrada no filme. E pra dizer a verdade, o cara é um gênio. Ele decididamente está anos-luz à frente dos grafiteiros comuns. Eu gostaria de ter uma de suas obras na minha parede. =P Mas enfim, o documentário é empolgante, não perde o ritmo e mostra um pouco mais de Banksy (sempre escondendo o rosto e mecanizando a voz) para seus fãs americanos.
Qualquer um dos cinco pode ser o vencedor, mas eu diria que Exit é o favorito, pela irreverência e pelo fato de Banksy ter transcendido a fronteira marginal que separa os grafiteiros de outros artistas. Ainda assim, os membros mais conservadores da Academia podem não apreciar e votar em Inside Job. Ou serem pegos pela emoção de Lixo Extraordinário. Acho que são os três favoritos.


Melhor Curta Metragem
    * God Of Love
    * The Crush
    * The Confession
    * Na Wewe
    * Wish 143

Vi apenas os trailers dos curtas. Wish 143 fala de um garoto sofrendo de câncer terminal que pede, como seu último desejo, a possibilidade de perder a virgindade. Confesso que o trailer não me animou muito. Na Wewe pode encantar a Academia por tratar da velha "rivalidade" entre Tutsis e Hutus, mas me pareceu um tema mais indicado para um documentário. The Confession mostra um garoto que fará sua primeira confissão ao Padre e não sabe o que dizer. Tema meio bobo, mas o elenco parece legal. Vi em algum lugar que poderia ser o favorito. The Crush nos apresenta a um garotinho apaixonado pela professora. Achei hilária uma cena que vi no Youtube do jovenzinho confrontando verbalmente o namorado da professora e desafiando-o para um duelo até a morte! XD Mas definitivamente, God of Love me pareceu ter um charme até onírico. Um músico gosta de uma garota que gosta de outro músico. Mas o primeiro encontra dardos mágicos, que funcionam como as flechas do cupido e pode mudar seu destino. Filmado em preto e branco, o elenco parece afinado e foi o único que realmente despertou minha vontade de assistir. Sempre erro meu palpite nessa categoria, mas achei a fotografia e o estilo da direção de God of Love mais profissionais que os demais.


Melhor Curta Animado
    * The Gruffalo
    * The Lost Thing
    * Day & Night
    * Let´s Pollute
    * Madagascar

Assisti aos cinco curtas. Madagascar tem uma animação deveras peculiar, mas achei o roteiro bobo, apenas fala de férias na ilha e mostra tradições locais. Let's Pollute é um apelo ecológico bem educativo e criativo. Day & Night mostra duas criaturinhas opostas. Trabalho brilhante, como de costume em se tratando da Pixar, mas que depende mais do entretenimento visual e das gags do que de um roteiro. The Lost Thing é uma linda história de um garoto que encontra um ser esquisito e não sabe o que fazer com ele. Achei o traço interessante e a história muito bonita. Por fim, The Gruffalo adapta um livro infantil lançado em 1999, contando a história de um destemido ratinho em suas aventuras na floresta. A animação é divertida e o ratinho protagonista logo nos contagia com a forma como escapa de seus predadores contando a história do Gruffalo. Adorei!
Day & Night é o favorito, só por ser da Pixar. Mas será que a Academia vai dar dois Oscars pra Pixar na mesma noite? E não é o mais brilhante dos seus curtas, apesar de ser muito bom. Talvez Madagascar se beneficie pelo traço extremamente original, e este me parece ser um prêmio mais devotado à criatividade que ao filme como um todo.


Melhor Filme de Animação
    * Toy Story 3
    * Como Treinar o Seu Dragão
    * O Mágico

Os três filmes são muito bons e mereceriam vencer. O Mágico é singelamente lindo. Como Treinar o Seu Dragão empolgante e bem realizado. Mas Toy Story 3 é o vencedor. Não há o que questionar. Um dos melhores filmes de 2010, sem sombra de dúvidas.


Melhor Edição de Som
    * A Origem
    * Tron - O Legado
    * Toy Story 3
    * Incontrolável
    * Bravura Indômita

Esta categoria premia a criatividade ao elaborar sons para rechear as cenas. Não vi nada de mais nos sons de Bravura Indômita. Quer dizer, tiros, cavalos e esporas? Já foi feito muitas vezes, não? Não estou dizendo que é ruim, só não creio que seja um destaque. Já Incontrolável, apesar de ser uma bomba, possui efeitos sonoros de trens muito interessantes, e pode até surpreender com uma vitória. Animações como Toy Story 3 são sempre reconhecidas em som porque tudo é criado do zero, não há o áudio original da cena. O som de Tron talvez seja o mais complexo dos cinco, por envolver ambientes futuristas, veículos, batalhas e muita digitalização. Mas meu voto vai pra A Origem, pela complexidade do trabalho e pela variedade necessária.


Melhor Mixagem de Som
    * A Origem
    * Salt
    * O Discurso do Rei
    * A Rede Social
    * Bravura Indômita

Aqui faz mais sentido a presença de Bravura, pois une os efeitos aos diálogos e à trilha sonora, e os elementos estão muito bem harmonizado no longa dos Coen. A Rede Social também faz um bom trabalho, com diálogos baixos mas perfeitamente audíveis e trilha integrada. O Discurso do Rei pode vencer pelas cenas nos estúdios de rádio, onde demonstra bem o isolamento acústico do local. Salt é cheio de ação, explosões e tal, e a categoria premia filmes barulhentos nessa categoria. =P Mas, como na anterior, A Origem tem um trabalho impressionante e complexo aqui. E ocorre com grande frequência do mesmo longa vencer em ambas as categorias de som.


Efeitos Visuais
    * A Origem
    * Alice no País das Maravilhas
    * Harry Potter e As Relíquias da Morte - Parte I
    * Além da Vida
    * Homem de Ferro II

Todos os filmes têm bons efeitos visuais. Os efeitos de Homem de Ferro II são naturais na obra e competentes. O tsunami no início de Além da Vida é muito realista e impressionante. A primeira parte da adaptação do último livro da série Harry Potter até poderia ter sido lembrado por sua fotografia melancólica, mas os efeitos estão mais orgânicos que nunca O mundo de Alice é repleto de efeitos visuais, em todo seu colorido deslumbrante. A cena de luta no hotel e a cidade dobrando devem ser suficientes para dar a estatueta ao filme de Christopher Nolan.


Melhor Maquiagem
    * Caminho da Liberdade
    * O Lobisomem
    * A Minha Versão do Amor

Onde está a maquiagem de A Minha Versão do Amor? Ok, eu só o trailer, então não posso julgar, mas não vi nada de mais. Me lembrei inclusive das sobrancelhas da Frida Kahlo, que renderam um Oscar. O Lobisomem é um clássico da categoria e imagino que tenha conquistado muitos Oscars na época dos clássicos de terror da Universal. Já Caminho da Liberdade impressiona pela demonstração do sofrimento vivido pelos fugitivos da prisão siberiana, que fizeram uma jornada homérica para escapar do comunismo. O Lobisomem e Caminho da Liberdade disputam o prêmio, creio.


Melhor Figurino

    * Alice no País das Maravilhas
    * A Tempestade
    * O Discurso do Rei
    * Bravura Indômita
    * I Am Love

I Am Love é um filme bonito e contemplativo estrelado pela andrógina-mor Tilda Swinton, e traz figurinos da alta sociedade italiana. Bravura Indômita, por ser um faroeste, tem um cuidado diferenciado com as vestimentas da época. O Discurso do Rei também é filme de época, e representa adequadamente os costumes da Inglaterra antes da Rainha Elizabeth II. Pode abocanhar essa estatueta, apesar do favoritismo dos outros dois. A Tempestade tem como figurinista a multi-premiada Sandy Powell. Vi apenas o trailer, mas fiquei impressionado. Parece realmente um forte candidato. E Alice, que deve vencer, tem todo o festival de trajes das Rainhas e de todos os personagens, organizados pela também muito premiada Colleen Atwood.


Melhor Direção de Arte
    * A Origem
    * Alice no País das Maravilhas
    * Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I
    * O Discurso do Rei
    * Bravura Indômita

Essa é uma categoria complexa. Todos os indicados fizeram bons trabalhos: Bravura ao retratar o velho oeste fielmente; Discurso no consultório do personagem de Geoffrey Rush e nos estúdios de rádio; Harry Potter nas florestas melancólicas, na casa de Sirius, de Luna, etc.; Alice em todos os cenários surrealistas; e A Origem na variedade de cenários, todos sutilmente detalhados. Meu favorito é A Origem, embora eu creia que os trabalhos de Alice e Harry Potter são complexos e muito bem-executados. Contudo, Discurso é forte candidato a ficar com o prêmio.


Melhor Canção
    * If I Rise, 127 Horas
    * I See The Light, Enrolados
    * Coming Home, Country Strong
    * We Belong Together, Toy Story 3

Tenho sempre dificuldades com esse prêmio. =P Antes as músicas eram avaliadas isoladamente, mas agora são avaliadas no contexto do filme. Dessa forma, creio que a música de Enrolados vai se beneficiar, sendo o único musical entre os concorrentes e apresentando a canção em um de seus momentos mais emblemáticos. Claro, a música é bonita também, e a Mandy Moore uma gracinha! =P Mas será que a Academia vai resistir a premiar sua queridinha Gwyneth Paltrol? Se bem que ela não vai receber nada, já que não compôs a canção, só a executou. We Belong Together é legal também, mas a mais bonita é para mim a música da Dido. Mas acho que ela é a menos provável de vencer entre as quatro.


Melhor Trilha Sonora
    * 127 Horas, A.R. Rahman
    * A Rede Social, Trent Reznor e Atticus Ross
    * A Origem, Hans Zimmer
    * O Discurso do Rei, Alexandre Desplat
    * Como Treinar o Seu Dragão, John Powell

Ok, eu sei que a trilha de 127 Horas não é tão orgânica quanto as demais, mas ainda assim eu gosto muito do trabalho do Rahman. A Rede Social e A Origem possuem trabalhos mais orgânicos, assim como Discurso. E Dragão está aqui meio peixe fora d'água, na minha opinião. Há uma boa probabilidade da Academia premiar o Desplat, por nunca ter vencido e ter estado bem presente nos últimos anos. É um compositor competente e versátil, fez a trilha deliciosa dO Fantástico Sr. Raposo. Ainda assim, resolvi arriscar em A Rede Social. Trent Reznor é o cara do Nine Inch Nails e o trabalho é muito competente, embora possa afastar os membros mais velhos. Bom, eu decidi arriscar.


Melhor Filme Estrangeiro
    * Biutiful (México)
    * Dogtooth (Grécia)
    * Em Um Mundo Melhor (Dinamarca)
    * Incêndios (Canadá)
    * Fora da Lei (Algéria)

Talvez a categoria mais difícil entre as 24. Não nesse ano em especial, mas sempre, pelo fato de ser votada por um grupo menor, que assiste todos os filmes. Também não costuma contar com muitos membros da Academia entre os concorrentes, o que dificulta votos por amizade ou reconhecimento tardio. Não consegui assistir a Em Um Mundo Melhor e Incêndios, mas pelo que li os dois são fortes candidatos, junto com Biutiful. Decidi arriscar em Incêndios, mas não sei. Dogtooth é muito pesado e...incomum para o Oscar. Fora da Lei tem alguns problemas no roteiro, mas conta uma história importante e pesada. Biutiful realmente não tem nada a ver com seu título. Filme cru e doloroso, grande interpretação de Bardem, um ator que acho fantástico. Não sei mesmo que vai ganhar aqui.


Melhor Fotografia
    * Cisne Negro, Matthew Libatique
    * A Origem, Wally Pfister
    * Bravura Indômita, Roger Deakins
    * O Discurso do Rei, Danny Cohen
    * A Rede Social, Jeff Cronenweth

Todos os concorrentes são bons, embora eu creia que A Rede Social pudesse ser trocado por Harry Potter. Bravura Indômita deve ganhar, como reconhecimento da carreira de Roger Deakins. Eu acho a fotografia de Cisne Negro a mais impressionante entre os concorrentes. Libatique, aliás, tem feito bons trabalhos ao acompanhar Aronofsky. O trabalho em A Origem é excelente também, como toda a parte técnica, aliás.


Melhor Montagem

    * A Rede Social, Angus Wall e Kirk Baxter
    * O Discurso do Rei, Tariq-Anwar
    * 127 Horas, Jon Harris
    * Cisne Negro, Andrew Wesiblum
    * O Vencedor, Pamela Martin

Não acho que O Vencedor e Cisne Negro tenham trabalhos complexos de montagem. A Origem e Scott Pilgrim são infinitamente mais merecedores de suas vagas. A montagem de 127 Horas, apesar de criticada por alguns, não deixa o filme se tornar entediante. Mas realmente essa é uma categoria em que A Rede Social dificilmente perderá. Não deixar os espectadores perdidos ao alternar entre duas diferentes audiências e a história do Facebook (que ainda conta com vários saltos temporais, mas jamais se torna episódica) é uma façanha ímpar. Disputaria com A Origem, na minha opinião.


Melhor Roteiro Adaptado
    * Aaron Sorkin, A Rede Social
    * Marguerite Roberts, Bravura Indômita
    * Michael Arndt, Toy Story 3
    * Debra Granik, Anne Rosellini, Inverno da Alma
    * Danny Boyle, Simon Beaufoy, 127 Horas

Eu acho que a avaliação nessa categoria deveria incluir a análise do original. Usar apenas uma ideia e fazer tudo diferente não é adaptar, então verificar se a adaptação foi bem realizada poderia ser um dos pontos de análise. Mas como só posso avaliar esse aspecto com relação a Toy Story 3, verificarei a qualidade do roteiro mesmo. São todos bons roteiros, mas também acho que A Rede Social é o melhor, já que junto com a montagem garante o ritmo do filme. Aliás, se esses dois aspectos não fossem praticamente perfeitos, possivelmente o filme não estivesse entre os indicados ao Oscar desse ano.


Melhor Roteiro Original
    * Christopher Nolan, A Origem
    * David Seidler, O Discurso do Rei
    * Mike Leigh, Another Year
    * Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg, Minhas Mães e Meu Pai
    * Scott Silver, Paul Tamasy & Eric Johnson, O Vencedor

Não vejo nada de mais no roteiro de O Vencedor. E o de Minhas Mães e Meu Pai é o principal responsável pelo fato do filme não ser tão bom como poderia, sabotando-se da metade da projeção em diante. Os diálogos de Another Year são sensacionais, e a divisão da história pelas quatro estações um recurso interessante. Não acredito nessa história do Mike Leigh, que disse ter improvisado o filme todo e passado o roteiro a limpo depois do longa estar concluído. =P A Origem é indiscutivelmente o roteiro do ano. Aliás, dos últimos anos, arrisco a dizer. E acho que realmente esse pode ser o prêmio-consolação para o Nolan, por não tê-lo indicado a Melhor Diretor. Mas a onda Discurso pode ser forte o suficiente para dar o prêmio para o tal Seidler, o que pra mim seria quase como se Kaufman houvesse perdido o prêmio por Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças. Então, torcida para o Nolan. Essa é a categoria pra qual mais torço essa noite.


Melhor Atriz Coadjuvante
    * Hailee Steinfeld, Bravura Indômita
    * Melissa Leo, O Vencedor
    * Amy Adams, O Vencedor
    * Helena Bonham-Carter, O Discurso do Rei
    * Jacki Weaver, Animal Kingdom

Não vi absolutamente nada de mais na atuação de Jacki Weaver. Quer dizer, é uma boa atuação, mas a Dale Dickey em Inverno da Alma, por exemplo, merecia muito mais a sua vaga. Bonham-Carter não faz nada espetacular, mas marca principalmente por ser uma rara personagem normal em sua filmografia povoada por bizarrices. Ela é praticamente um Johnny Depp de saias, hehehe. Amy Adams impressiona em O Vencedor, com muita força de caráter. E Melissa Leo está soberba, claro. Mas o destaque entre as indicadas é definitivamente a menina Hailee Steinfeld. Uau! Que atuação! O sotaque dela é ainda melhor que o do Jeff Bridges, e isso é bem significante. Eu diria que, excetuando-se Jacki Weaver, qualquer uma das quatro pode ganhar. E será merecido. Leo teria a dianteira não houvesse feito bobagem ao tentar pedir votos na Variety e em outras revistas. Assim, penso que a disputa esteja mais entre a garota Hailee e Bonham-Carter. Se Discurso surgir no ritmo "lavada", esta é beneficiada, mas torço pela novata.


Melhor Ator Coadjuvante
    * Christian Bale, O Vencedor
    * Geoffrey Rush, O Discurso do Rei
    * John Hawkes, Inverno da Alma
    * Mark Ruffalo, Minhas Mães e Meu Pai
    * Jeremy Renner, Atração Perigosa

Também não entendi a nomeação de Jeremy Renner. É quase o mesmo personagem de Guerra ao Terror. Ruffalo é um cara bacana e faz um tipo divertido em Minhas Mães e Meu Pai. Mas as três atuações mais marcantes são as outras: John Hawkes em Inverno da Alma faz um trabalho espetacular; Rush é sempre um ator memorável e uma escolha acertadíssima para o papel, já que um de seus maiores talentos reside justamente no traquejo da voz (aqui abro um parênteses para dizer que ninguém supera a Cate Blanchett, pra mim a atriz mais capaz em termos de sotaques); e Bale é finalmente lembrado, dessa vez por compor um personagem dependente de drogas, muito magro e com sotaque engraçado. Esse tipo de personagem é muito arriscado. Um milímetro antes de certo patamar e é uma grande atuação. Um milímetro depois e se torna caricato (como achei o Colin Farrel fazendo um tipo esquisito em Caminho para Liberdade). Uma vitória de qualquer dos três primeiros seria merecida.


Melhor Atriz
    * Natalie Portman, Cisne Negro
    * Michelle Williams, Namorados para Sempre
    * Nicole Kidman, Reencontrando a Felicidade
    * Jennifer Lawrence, Inverno da Alma
    * Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai

Gosto dos cinco trabalhos. Bening deveria ter ganho o Oscar por Beleza Americana ou Adorável Julia, pois está espetacular em ambos. Aqui ela está ótima, mas não tanto. Deve ficar para outra vez o seu reconhecimento. Lawrence é uma grata surpresa, em um trabalho difícil e muito bem executado. Nicole Kidman é outra surpresa. Pra mim nunca foi uma grande atriz e até achei o prêmio por As Horas meio exagerado, mas talvez tenha sido sorte por ter pego um ano sem adversários tão fortes. Contudo, em Rabbit Hole (o título nacional é ridículo) ela está excelente, demonstra muito bem o sofrimento de sua personagem. Eu sou um grande admirador do trabalho da Michelle Williams desde seu surgimento na série Dawson's Creek. Todos dizem que ela deveria ter sido lembrada por Wendy & Lucy também, mas ainda não assisti. Gostei muito do filme Namorados para Sempre e achei a atuação dela sutil e madura. Torço para que continue nesse ritmo e se torne a grande atriz que promete ser. No próximo Oscar ela pode estar de volta ao interpretar Marilyn Monroe no filme My Week with Marilyn. E, claro, a vencedora será, merecidamente, a Natalie Portman, da qual também sou profundo admirador (aliás, é uma rara famosa com quem posso dizer que eu casaria - formada em Harvard, ativista social, boa atriz e linda! XD). Deveria ter sido indicada também por V de Vingança e As Sombras de Goya, mas neste Cisne Negro sua carreira chega a um ápice. É provavelmente a maior certeza da noite.


Melhor Ator
    * Colin Firth, O Discurso do Rei
    * James Franco, 127 Horas
    * Javier Bardem, Biutiful
    * Jeff Bridges, Bravura Indômita
    * Jesse Eisenberg, A Rede Social

As cinco atuações são boas. Pro Eisenberg a indicação está mais do que suficiente, e o Jeff Bridges ganhou ano passado por um personagem razoavelmente similar. =P Bardem está impactante em Biutiful, mas James Franco é o mais surpreendente em 127 Horas, que depende de seu carisma para se sustentar. Claro, o prêmio vai merecidamente para o Colin Firth. Quem diria que aquele que disputava a Bridget Jones com o Hugh Grant venceria um Oscar por papel dramático, hein? Hehehe. =D


Melhor Diretor
    * Darren Aronofsky, Cisne Negro
    * David Fincher, A Rede Social
    * Joel & Ethan Cohen, Bravura Indômita
    * Tom Hooper, O Discurso do Rei
    * David O. Russell, O Vencedor

Não acho que Russell e Hooper sejam maus diretores, de maneira alguma, mas definitivamente não mereciam estar aqui mais do que o Chris Nolan. Os Coen são excelentes, embora seus filmes oscilem no meu gosto pessoal. Mas Bravura Indômita é um dos melhores deles que assisti, senão o melhor. Mas claro, eles ganharam há pouco tempo por Onde Os Fracos Não Têm Vez. Fincher é um diretor espetacular, e deveria ter vencido por Clube da Luta. Não acho que A Rede Social seja seu melhor trabalho, apesar de ser muito bom e tecnicamente impecável. E Aronosfky também deveria ter sido pelo menos indicado por Réquiem para um Sonho. Fico dividido entre os dois diretores, Fincher e Aronofsky, pois gosto muito de ambos. Mas a disputa aqui é entre Fincher e Hooper. Se Discurso tiver em ritmo de "lavada", deve dar Hooper. Mas se as categorias forem bem divididas, como penso que serão, Fincher será finalmente reconhecido, o que espero que ocorra.


Melhor Filme
    * A Origem
    * Toy Story 3
    * Cisne Negro
    * Bravura Indômita
    * 127 Horas
    * O Discurso do Rei
    * A Rede Social
    * Inverno da Alma
    * O Vencedor
    * Minhas Mães e Meu Pai

Minhas Mães e Meu Pai poderia ter sido meu terceiro ou segundo favorito, se não tivesse se perdido da metade em diante. Eu estava amando o estilo indie do filme, o elenco, tudo. Mas a resolução da história deixou muito a desejar. O Vencedor tem como ponto forte os personagens e as fortes atuações, mas acho que a história deixa um pouco a desejar. Inverno da Alma é um filme difícil, sobre vidas difíceis e também marcado por atuações intensas. A Rede Social é um filme muito bom, técnicamente brilhante, mas que não me conquistou inteiramente. Já O Discurso do Rei é ótimo, também com ótimas atuações e a cara do Oscar, mas nada espetacular. Por fim, 127 Horas é o último dos filmes da lista que não sei se merecia estar aqui, apesar de eu ter gostado bastante. Os quatro restantes são excelentes longas e estão definitivamente entre os melhores de 2010. Bravura e Cisne seguem mais o estilo do Oscar e poderiam ter chance se não houvesse Discurso e Rede Social no meio. Toy Story 3 entrou no meu Top 10 do ano passado e A Origem é indiscutivelmente o melhor filme dos últimos anos.
Mas, como nosso gosto pessoal não reflete o dos votantes, a disputa está mesmo entre A Rede Social e O Discurso do Rei, pendendo fortemente para este último.


É isso, boa cerimônia para todos! Comentarei no Twitter durante os prêmios: @tocadolobo
Voltarei aqui amanhã à noite para comentar as estatísticas do bolão, o vencedor (que será divulgado no Twitter após a categoria de Melhor Filme) e a cerimônia como um todo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Bráulio Tavares

Nessa noite de sábado eu me vi meio sem ter exatamente o que fazer. Passava da meia-noite, eu estava completamente sem sono e sem vontade de assistir a um longa metragem. Então comecei a passear pelos meus favoritos e na seção de blogs caí no Mundo Fantasmo, blog onde o paraibano radicado no Rio da Janeiro Bráulio Tavares publica suas crônicas diárias no Jornal da Paraíba. Fazia um bom tempo que eu não lia nada do Bráulio e me peguei saboreando algumas de suas inúmeras crônicas. E pensei em publicar uns links no Twitter. Mas de repente eles proliferaram e eu fiquei desejoso de escrever bem mais do que 140 caracteres. =P

Então, antes de mais nada, deixe-me apresentá-los ao homenageado do post: Bráulio Tavares é um escritor multifacetado, autor de artigos sobre cinema ou literatura fantástica, de livros narrativos ou coletâneas poéticas, cordelista e compositor de músicas, cantadas por Lenine ou Elba Ramalho, roteirista de cinema ou TV... enfim, onde ele puder estar escrevendo, ele estará. O conheci há uns bons anos, cerca de dez (embora eu já tivesse ouvido falar dele antes pelo meu primo Hugo, ator e que conhecia seus trabalhos teatrais), através de suas palestras variadas no Encontro da Nova Consciência, um evento sobre o qual já falei aqui, aqui e aqui. Assisti palestras do Bráulio sobre haikai, ateísmo, Matrix, Literatura Fantástica e repentes! Orador exímio, é impossível não imergir nas suas palavras. Então vou deixar aqui um pouco do seu trabalho.

Mundo Fantasmo: suas maravilhosas crônicas diárias no Jornal da Paraíba. Estou há uma hora navegando por este acervo fabuloso e sem saber o que referenciar diante de tamanha vastidão de temas, espalhados em quase 2500 artigos. Quero listar apenas dois, já de 2011, que mostram seu virtuosismo: Resoluções de Ano Novo e O Ultra-Google.

Elba Ramalho cantando Nordeste Independente, música de um disco seu do final dos anos 80 (a mudança na voz e no sotaque da cantora é impactante), e composta por Bráulio Tavares e um repentista:

Zé Ramalho cantando Meu Nome é Trupizupe, um grande clássico de Bráulio:

Uma excelente entrevista realizada em 2005 pelo Centro Cultural BNB, em Fortaleza, dividida em quatro partes (assistam e verão que o tempo voa enquanto ele fala) - o link para a parte seguinte está no final, nos vídeos relacionados:

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Tops 2010

Chegamos a mais um final de ano e cá estou eu para compartilhar com vocês minhas estatísticas que, excetuando-se na área de filmes, até que não foram das piores, levando em consideração meu escasso tempo livre. Quem tiver curiosidade de (re)ler o top do ano passado, pode acessá-lo aqui.

Em 2010 assisti a risíveis 84 filmes, sendo 79 inéditos e 5 reprises, dentre estes 39 no cinema, 8 curtas, nenhum documentário e 3 produções em 3D. Foram 21 filmes cotados como 5 estrelas, dos quais 11 no cinema. Meu melhor período foi o início do ano, na correria das premiações, quando consegui assistir quase todos os indicados às principais estatuetas do Oscar. Devo essa queda de produtividade a dois fatos isolados: o incêndio na Academia de Tênis, que impediu a realização do Festival Internacional de Cinema, responsável por 15 filmes da minha lista no ano passado e 13 em 2008; e por uma inexplicável preguiça de sair de casa pra ir ao cinema sozinho. Não sei de onde veio esse sentimento, já que estou mais do que acostumado a não ter companhia, mas deixei passar uns 10 filmes que gostaria de ter assistido graças à preguiça. Não vou nem comentar a meta do ano passado. =P Mas espero chegar a 120 filmes no próximo ano, sem definir quantos gostaria de ver no cinema (já que o cinema anda cada vez pior, dublando filmes, não estreando, atrasando, etc., pode até ser que eu reduza minha incursão às salas). Também decidi fazer em 2011 uma mudança nos meus tops: cinema não tem sido um top adequado, pois esse ano vi alguns filmes antigos na telona (nas mostras do Centro Cultural do Banco do Brasil) e novos no PC. Então farei em 2011 um top dos filmes novos e outro geral, ok? E definirei novos como "estreou no Brasil ou lá fora no ano corrente".
Na literatura também não alcancei a minha meta, que era de 30 livros. Mas estou razoavelmente satisfeito com os 25 lidos. Foi difícil escolher os cinco melhores e as menções honrosas do top são todas merecedoras. De toda forma, reafirmo que gostaria de ler 30 livros em 2011.
Na TV minha meta foi cumprida e estou muito satisfeito com o número de episódios alcançado: 416 (contra 341 do ano passado), em 16 séries distintas, com um top inesperado graças a uma reviravolta surpreendente nos últimos 10 dias do ano. A meta era de assistir Lost, executada com muito prazer e sem arrependimentos. Meta para 2011: começar a assistir séries muito comentadas, como Breaking Bad e Community.
Encerrando as estatísticas, também superei por pouco (embora sem esforços adicionais) minha meta de páginas de quadrinhos lidas. Foram 31106 (contra 29406 em 2009) em 214 revistas. Aliás, cabe aqui explicar que álbuns em quadrinhos, como Retalhos e Scott Pilgrim, foram registrados na seção de livros, porque acho mais condizente com a sua condição (e também, confesso, porque alguns não vieram paginados, e deu preguiça demais de sair contando 400 páginas manualmente =PPP). Meta para 2011: manter as 30000 já me satisfaria.
Deixo-os abaixo com o gráfico evolutivo dos números de filmes, filmes no cinema e livros. Não estou incluindo séries e quadrinhos aí porque o número é muito mais alto e porque não estão sendo contabilizados desde 2005 como os outros.


Evolução estatística de 2005 a 2010


Vamos então aos vencedores do meu Top com breves comentários ou links quando já tiverem sido comentados antes. Aviso que pequenos spoilers podem ser encontrados.



TV - Séries (incluindo animações)

Menções Honrosas: Lost, Parenthood, Nodame Cantabile e Kimi ni Todoke.
Foi difícil eleger a terceira posição do Top, mas seu ocupante ainda mereceu este destaque. A confusão se deveu à surpresa na primeira colocação. Pois bem, Lost chegou perto deste terceiro lugar. Já falei bastante da série aqui.
Parenthood foi citada no mesmo link de Lost. A série vem crescendo muito, sempre com um ou outro problema, mas sou muito fã de séries de relacionamento e realmente gostaria que surgisse uma como Gilmore Girls para tomar lugar no meu coração. =P Mas a trama de Parenthood vem evoluindo, e todos os personagens são bacanas, com seus problemas e suas neuroses.
Nodame Cantabile foi outra que por pouco não pegou a terceira colocação. A conclusão deste excelente anime me emocionou e fiquei muito triste ao ter que me despedir dos meus amados personagens Nodame e Chiaki. Ainda estou precisando baixar algumas músicas da orquestra que tocou na gravação dos episódios.
Kimi ni Todoke é um anime fofinho sobre uma colegial que se parece com a Sadako de O Chamado, o japonês, claro. Por ser meio assustadora, ela tem dificuldades para fazer amigos. Mas um colega de classe quebra essa barreira e logo ela se vê envolta por amizades, tornando-se aos poucos uma adolescente normal. É um shoujo relativamente comum, mas merece uma indicação aqui. (Parênteses importante: um obrigado especial à minha amiga Mari por me indicar animes XD)

3. Dexter
Eu disse ano passado que seria difícil superarem a quarta temporada da série. E realmente, não havia como bolarem outro personagem tão complexo e brilhante quanto o Trinity Killer. Muito menos um final de temporada com o mesmo impacto. A temporada foi excelente, mas ainda assim a mais fraca da série, o que não é nenhum demérito se pensarmos em como as temporadas anteriores foram excepcionais. Gostei da personagem Lumen e o amadurecimento de Dexter continuou. Em cada ano, somos apresentados a um Dexter ligeiramente diferente, após os eventos da temporada anterior. As subtramas envolvendo os personagens secundários foram relativamente bobas, em especial a crise no casamento de Angel e Laguerta. Os vilões foram razoáveis, mas o encerramento pouco plausível. E o desfecho de Lumen foi o mais surreal. Foi meio um "ah, tem que ser assim, ou teremos um problema na próxima temporada". Mas, como eu disse, a série é soberba e merece entrar em qualquer top. Já estou ansioso pelo ano 6.

2. Fringe
Os últimos episódios da segunda temporada de Fringe foram tão bons que eu já imaginei que ela duelaria forte com Dexter nas minhas preferências esse ano. Mas nunca sonhei com um início de terceira temporada tão espetacular. A série melhora a cada episódio, num ritmo surpreendente! Já em setembro eu pensei "ok, Fringe será a líder do meu top no final do ano". Claro que eu não sonhava com a reviravolta da última semana.
Nessa temporada, Walter, Peter e Olivia amadureceram imensamente, sobretudo a Agente Dunham. Pela primeira vez entramos na couraça sentimental dela e eu estou desesperado pelo próximo capítulo graças a isso! =P Mas amadurecimento de personagens à parte, a tensão provocada pelas transições do roteiro entre os dois Universos foi a grande responsável pelo ápice de qualidade. Agora a série vai enfrentar uma mudança perigosa de horário, torçamos para que os espectadores prestigiem a excelente trama! #SaveFringe


O trio de protagonistas de Fringe

1. Honey & Clover
No ano anterior, o mangá de Honey & Clover já foi visto com bons olhos e eu esperava sua alta pontuação novamente na seção de quadrinhos. A 9ª edição deveria ter saído em outubro e a 10ª e última em dezembro, mas por algum motivo a 9ª foi lançada apenas agora, na semana passada. Após lê-la fiquei tão maravilhado que decidi começar a ver a série animada. Na minha mente, eu iria vê-la até certo ponto e deixar o final para depois de ler o encerramento do mangá. Mas fui completamente incapaz e assisti aos 38 episódios nesse final de semana do Natal. Em geral, o mangá é ainda superior ao anime, mas por poucos detalhes. O anime tem muitas vantagens, como as ótimas músicas que embalam os momentos dramáticos e a possibilidade de dar voz aos estimados personagens. O fato de ter assistido tudo de uma vez e, claro, a altíssima qualidade da história da mangaká Chica Umino, me deixaram com o final na cabeça. Fico imaginando o que aconteceu aos personagens após os fatos narrados. É a maior prova do impacto de uma história: lhe deixar imaginando o que não foi contado.
Ano passado eu resumi muito brevemente a trama de Honey & Clover, mas a história decididamente merece mais dedicação da minha parte. Tudo gira em torno de cinco estudantes em uma Universidade de Artes e as dificuldades que eles passam para se formar e para aprender a lidar com as responsabilidades da vida adulta. Em nenhum momento acompanhamos uma sala de aula, apenas a elaboração de alguns trabalhos, e o grande foco está mesmo no relacionamento entre eles, tão diferentes e tão complexos, ao longo de quatro anos de suas vidas. Os personagens são:
- Takemoto: de acordo com o Pablo Villaça, em toda história há um único protagonista. Então, mesmo que aqui os cinco sejam importantes, se fosse para destacar um, seria Takemoto. É um jovem no segundo ano da faculdade (quando começa a história), sem saber muito o que quer da vida, e que logo se apaixona pela doce Hagu. Dedicado, valoroso amigo, e dono de um coração puro e às vezes inocente, é o personagem com quem mais me identifiquei. Ele é bobo, como eu. =P E foi o personagem que mais me emocionou durante a história, pelo seu crescimento e pelas situações enfrentadas.


Takemoto

- Hagu: a narrativa começa com a chegada de Hagu para começar a faculdade de arte e é apresentada aos demais pelo primo do seu pai, o professor Hanamoto. Extremamente tímida, Hagu não sabia o que era ter amigos. Nem se importava muito, pois sua mente vê as coisas de outra forma. Tudo que seus olhos captam serve de material para a arte magnífica que ela produz. É tão pequena e frágil que às vezes é confundida com uma criança.


Hagu

- Morita: o personagem mais nonsense de Honey & Clover. Um veterano que até hoje não se formou porque sempre desaparece por longos períodos e acaba perdendo as datas de entrega do trabalho final. Ninguém sabe o que ele faz, nem como arruma tanto dinheiro e nem porque não faz uso desse capital. Sempre diz o que pensa e faz o que dá na telha, ainda que isso seja heterodoxo. É o responsável pelos momentos mais cômicos, mesmo que seja um personagem carregado de dramaticidade.


Morita

- Mayama: o responsável Mayama, embora mais novo que Morita, acaba sempre fazendo companhia ao professor Hanamoto no time dos experientes, que cuidam dos "adolescentes". Dedicado e competente, é reservado e muito observador. Tem um carinho de irmão mais velho pelos demais, cuidando deles sempre que pode, seja levando comida para casa ou deixando-os dormir no seu quarto com ar condicionado (Takemoto, Morita e Mayama moram numa espécie de república de estudantes).


Mayama

- Yamada: talentosa ceramista e profundamente apaixonada por Mayama. Respira seu amor não-correspondido, aproveitando os lados bom e ruim, mas às vezes se prendendo demais ao sentimento. Garota muito bonita e desejada por muitos homens, embora não seja uma moça das mais convencionais: não cozinha bem, bebe até cair e tem um poderoso chute que a rendeu o apelido de Dama de Ferro.


Yamada

O professor Hanamoto serve de tutor da turma. Há outros personagens importantes, mas que vão surgindo aos poucos na trama e, por isso, não serão citados aqui.
Enfim, é uma história de descoberta da vida, protagonizada por jovens adultos que precisam aprender como lidar com as situações, sobretudo aquelas que exigem muito de seus corações. Mayama é o único que, desde o princípio, demonstra maturidade em suas atitudes, enquanto os demais vão crescendo aos poucos. Recomendo muito a todos que gostarem de histórias sobre relacionamentos, amadurecimento e jovens adultos. Inclusive deixo aqui o meu apelo: se você não tem o costume de assistir animações e/ou pensa que são coisas para crianças ou nerds, dê uma chance a Honey & Clover.



Quadrinhos

Menções Honrosas: Evangelion, Cable e D.Gray-man.
Comecei a assistir animes na infância, com Zillion e depois com Cavaleiros do Zodíaco. Dragon Ball, Yu Yu Hakusho e outros animes de ação, feitos para meninos (shounen, como chamam os japoneses) eram minha preferência. Evangelion foi o divisor de águas. Misturava a ação do shounen com uma trama cerebral e complexa, envolvendo muito mais drama do que eu estava acostumado. A série foi minha favorita por longos anos, embora hoje eu goste mais de animes de relacionamento adultos (como Nana, Honey & Clover e Nodame Cantabile), e quando a Conrad Editora começou a lançar mangás no Brasil, foi uma das primeiras apostas. O ritmo de produção do autor é muito lento e até hoje o mangá não foi concluído, embora seja curto e tenham se passado 13 anos do primeiro volume. Mas estávamos órfãos desde a quebra da Conrad e o mangá merece a menção aqui pelo excelente trabalho de retomada da Editora JBC, que agora detém os direitos de publicação. O formato é exatamente idêntico ao original, dando continuidade à coleção e respeitando muito os fãs, embora este formato difira em tamanho, papel e estilo do usualmente adotado por eles. Tenho quase certeza de que não deve estar sendo muito lucrativo, mas a JBC ganhou o meu respeito. Mas enfim, com três edições lançadas em 2010, Evangelion se aproxima de seu cataclísmico encerramento.
Cable teve histórias boas e ruins em 2010, nas páginas da revista X-Men Extra, mas a trama geral, que envolve a proteção da garota predestinada a salvar ou a destruir os mutantes, Esperança, é muito bacana! Já sou fã da garota, que cresceu como uma sobrevivente e que em breve retornará ao presente da Marvel. Talvez haja uma ligação dela com a Força Fênix e quem sabe até com Jean.
D.Gray-man foi citado em 2009 e o repito aqui. A trama vem amadurecendo e não consigo vislumbrar o rumo da história, que sempre parece em vias de acabar, embora na verdade ainda esteja em publicação no Japão.

5. Berserk
A consistência do mangá de Kentaro Miura é impressionante. Mas é um gênero que não recomendo a todos. Violento ao limite, é conduzido pelo conceito tradicional de RPG medieval, mas num mundo atormentado por demônios e criaturas das trevas. Gatts luta para obter sua vingança contra Griffith. Contando com um elenco de apoio fantástico, o mangá vai seguindo em meio a bizarrices, mas nos apresentando a um desenrolar muito cativante.

4. Capitão América
Apesar de eu não estar gostando muito da história que mostra a volta de Steve Rogers, o ano foi excelente para Bucky, acompanhado da ótima Viúva Negra, ocasionalmente da trágica Sharon Carter e do sem graça do Falcão. Ed Brubaker faz um dos melhores trabalhos da história dos quadrinhos desde seu início no título, há mais de quatro anos.

3. X-Factor
Sempre gostei do Peter David, mas nunca tanto quanto agora. Adoro o elenco excêntrico de X-Factor (Guido é uma comédia; M hilariamente chata; Siryn mandona como sempre; Rictor abalado por não ter poderes e agora pela volta de Shatterstar, que é sempre esquisito; e o estranho Darwin completa muito bem o grupo de investigação principal), o protagonista Madrox e sou fã incondicional de Layla Miller, a personagem mais interessante que a Marvel criou no Universo X na última década. Agora ela é adulta e estamos vendo de perto, no futuro, a Rebelião Summers, citada em histórias lááá do início dos anos 90. Ao que parece Madrox volta ao presente em breve, e espero que Layla venha junto. Não posso imaginar a revista sem ela.


Layla Miller adulta

2. Nana
A mangaká Ai Yasawa está doente e em recuperação, então a produção do mangá parou desde o volume 21, que alcançamos esse ano. A revista que conta a história das duas garotas chamadas Nana só melhora a cada volume e essa pausa é dolorosa, pois o momento da interrupção foi abruptamente chocante e definidor do futuro da Nana cantora. Meu único real desejo é que Reira (que seria Layla em japonês, esse nome anda me perseguindo, hein?) e Shin fiquem juntos no final, são meu casal favorito agora. Eu esperava que o excelente mangá liderasse a lista novamente, como até anunciei ano passado. Todavia, sua interrupção e a altíssima qualidade do primeiro lugar o depuseram do topo.

1. Honey & Clover
Não preciso comentar mais nada, preciso? Liderar minha preferência em duas mídias distintas no mesmo ano é realmente digno de nota, por isso só repito: quem gostar de quadrinhos, leia. Quem preferir assistir, assista. Ambos, anime e mangá, são excelentes. E digo mais: recomendo o consumo dos dois, apesar de seguirem a mesma linha narrativa. A forma como se complementam é perfeita.

Mayama com sua moto, Morita deitado, Hagu e Takemoto sentados e Yamada mais atrás (cliquem para ampliar)



Livros

Menções Honrosas: Scott Pilgrim Contra o Mundo Vols. 1 e 2, Jane Eyre e Os Mundos de Crestomanci - As Vidas de Christopher Chant.
Scott Pilgrim é uma overdose nerd-pop. Linguagem de videogame, fala diretamente para jovens adultos. Scott Pilgrim é um jovem que gosta de tocar na sua banda, a Sex Bob-Omb, e começa um relacionamento esquisito com uma oriental menor de idade, logo a trocando pela forasteira Ramona Flowers, meio maluca e de cabelos coloridos. Para azar do pobre rapaz, para ficar com ela é preciso enfrentar seus sete ex-namorados malignos! Estou ansioso pelo Vol. 3, que encerra a aventura de Pilgrim.
Jane Eyre é a obra mais famosa de Charlotte Brontë, irmã mais velha de Emily Brontë (autora de O Morro dos Ventos Uivantes). Um grande clássico de cerca de 600 páginas, que voam nos detalhes da vida da desafortunada Jane, da sua infância à juventude, e cada uma das agruras que o destino a reserva. A protagonista é uma personagem fascinante, de uma complexidade ímpar. Suas reações sempre inesperadas e suas decisões são o destaque máximo da obra. As três irmãs Brontë nos legaram basicamente estes dois grandes clássicos, entre outras publicações menores. Mas são dois livros excelentes e o suficiente para seu reconhecimento póstumo.
No ano anterior, a Diana Wynne Jones emplacou três livros no meu Top 5. Este ano, li apenas um dela, emprestado pela minha amiga Karen, e que conta a origem do Crestomanci, personagem de outros livros que não li. A narrativa da autora é sempre muito dinâmica e jovial, e sua criatividade continua a impressionar. Christopher Chant é capaz de viajar através de vários mundos e precisa aprender a direcionar o uso deste dom para o bem.

5. Retalhos
O autor Craig Thompson narra na forma de quadrinhos sua infância, adolescência e juventude, suas primeiras dúvidas sobre Deus, seu primeiro contato com o amor e a difícil convivência com seus familiares. O traço não é bonito, como dificilmente o é em quadrinhos alternativos, mas tampouco é feio, sendo apenas simples e dotado de uma narrativa muito fluida e criativa. A história não é exótica ou inovadora, o destaque fica mesmo por conta da maneira como ela é narrada e é impossível não nos envolvermos na difícil juventude de Craig e no amor que descobre com Raina. O pessoal do Universo HQ fez um review muito bacana da obra, que pode ser lido aqui.


Craig e Raina no cobertor que inspira o nome da obra

4. As Crônicas de Gelo e Fogo - Livro Um: A Guerra dos Tronos
Sempre olho com desconfiança para a enxurrada de obras de cunho medieval que pululam nas livrarias brasileiras desde que O Senhor dos Anéis foi redescoberto em 2001. Não foi diferente com A Guerra dos Tronos. Vi nas livrarias, dei uma olhada e deixei pra lá. Então as pessoas começaram a falar bem por aí, e eu descobri que uma série da HBO adaptando o livro estava em desenvolvimento (protagonizada por Sean Bean, o Boromir de O Senhor dos Anéis, estreia em 2011). Li um pouco a respeito e fiquei curioso. Passando pela livraria, descobri que custava apenas 30 e poucos reais, muito barato para ser um livro de 600 páginas com encadernação maior que a comum e fonte menor que a maioria. Comprei.
E não me arrependi. O autor George R. R. Martin elaborou um intrincado universo diegético para sua saga, que não se conclui aqui. Pelo contrário, uma grande deixa fica no final da leitura, à espera do lançamento do Livro Dois em terras brazucas. A narrativa é deliciosa! Não é das mais simples, mas também não é nenhum Tolkien. Inúmeros termos foram cunhados e jamais são desnecessariamente explicados, permitindo que o leitor descubra com o passar do tempo seu significado (exemplo: Meistre, que é um título dado aos magos do lugar). A fragmentação do fluxo da história é inteligente: apesar de cada capítulo ser centrado em um personagem (creio que são sete personagens utilizados dessa forma, em revezamento), a linearidade é respeitada. Ou seja, após um capítulo com Eddard Stark, o patriarca da família de protagonistas, o capítulo seguinte, com seu filho Bran, não conta o que aconteceu com Bran durante o capítulo anterior, mas sim o instante seguinte. Não sei se fui claro, mas não são narrados eventos paralelos, mas sim há a impressão de que pedaços de cada linha narrativa nos são mostrados. Achei o recurso muito criativo!
A história gira em torno dos Stark, um dos sete clãs mais importantes do Reino. Eddard precisa deixar o seu lar para se tornar o braço direito de seu amigo, o Rei. E acaba se envolvendo em um complexo jogo político e conspiratório, semelhante ao que comumente encontramos nas histórias sobre os reinados europeus. Sua esposa e filhos também acabam envolvidos na trama e após alguns capítulos estamos envolvidos de tal forma que precisamos desesperadamente saber o que vai acontecer, e tem sido doloroso ter que esperar o lançamento sem previsão do próximo volume.

3. Ramsés - Volume 2: O Templo de Milhões de Anos
2. Ramsés - Volume 3: A Batalha de Kadesh
1. Ramsés - Volume 4: A Dama de Abu-Simbel

O escritor Christian Jacq é um historiador e egiptólogo e resolveu usar esses conhecimentos para contar a história de vários grandes personagens do Egito Antigo. Sua série mais famosa é composta pelos cinco volumes que narram a vida de Ramsés II, provavelmente o mais grandioso Faraó de todos os tempos. O Volume 1 também faria parte dessa lista, caso eu não já o tivesse lido há muitos anos e em 2010 apenas relido, e o Volume 5 também é ótimo, mas sofre com uma ligeira queda de ritmo, então acabou não participando do top. Mas os volumes 1-4 são esplendorosos e os devorei num ritmo inacreditável. Eu adoro a sensação desesperadora que se apodera de mim quando me empolgo com um livro ou uma série de TV e passo a respirar a história, lendo/vendo em cada brecha, reduzindo as horas de sono para terminar logo. Obviamente, Jacq romanceou a verdadeira história, da qual provavelmente sabemos muito pouco do que realmente aconteceu.
Mas pelo que sabemos, Ramsés é o filho mais jovem do Faraó Sethi e acaba sendo escolhido como seu sucessor. Isso desperta a inveja de seu irmão mais velho, Chenar, muito mais adequado a um cargo puramente político que Ramsés, mas o Faraó não era simplesmente político. Ele era o líder político, militar e religioso do Egito. E apenas Ramsés era verdadeiramente capacitado para exercer as três funções habilmente, inspirando a extrema devoção dos seus súditos que, diferente da maior parte das nações, acreditavam que o Faraó se comparava aos seus deuses, não sendo apenas um representante deles na Terra. Então, ao longo dos cinco volumes, Ramsés se torna um Faraó, tem que lidar com as ameaças hitita e líbia, com seu inquieto amigo Moisés, o hebreu (a história dele vocês conhecem, né? =P), e com as duas mulheres da sua vida, Iset, a Bela (sua primeira paixão, inadequada para se tornar a Grande Esposa) e Nefertari (que se torna sua consorte real). Desafio leitores a não ficarem fascinados com a personalidade magnetizante de Ramsés, que nos convence de que não é mesmo simplesmente um humano.


Estátua de Ramsés II no gigantesco templo de Abu-Simbel



Filmes - Cinema

Menções Honrosas: Nosso Lar, A Fita Branca e Direito de Amar.
Eu não costumo falar muito de religião, porque acho que esse assunto é muito pessoal, e prefiro nem tentar interferir na opinião de ninguém a respeito. De toda forma, o filme Nosso Lar só funciona realmente bem se você acreditar nos acontecimentos retratados, como é o meu caso. Mas independente deles, a "cidade" criada por computação gráfica é fantástica, talvez o ápice dos efeitos visuais em longas nacionais.
Michael Haneke é um cara esquisito que faz filmes esquisitos. Nenhum dos longas dele que eu tive a oportunidade de assistir é fácil. A Fita Branca nos apresenta à Alemanha pré guerras mundiais e ao nascimento do que um dia se tornaria o nazismo. Moralmente muito forte, a bela fotografia em preto e branco do longa e os efeitos sonoros ajudam a construir a tensa atmosfera que envolve a pequena cidade onde se ambienta a dramática história.
Eu sempre gostei de Colin Firth, mas ao assistir Direito de Amar percebi que ele era um ator mais competente do que eu pensava. Sua atuação lhe rendeu indicações a inúmeros prêmios e um destaque tal que esse ano está novamente nos holofotes, com O Discurso do Rei. Bem, Direito de Amar é um retrato construído pelo estilista Tom Ford em sua primeira aventura atrás das câmeras, sobre um homem que precisa superar a grande tristeza em que sua vida se tornou, com a ajuda da antiga amiga vivida com muito talento por Julianne Moore. Através de flashbacks e planos com poucos diálogos, o filme emociona mais pelo não dito que pelo exposto. Firth nos transmite muita segurança sobre o papel e lembro de ter saído do cinema amargurado como se a causa de sua tristeza tivesse acontecido comigo.

10. Harry Potter e As Relíquias da Morte - Parte I
Não é segredo que eu sou um grande fã dos livros do bruxinho inglês. Quando era mais jovem e meu senso crítico mais brando, eu curtia mais os filmes e eles costumeiramente lideravam minhas listas. Hoje sempre tenho a impressão de que são muito corridos. Ainda assim, a primeira parte de As Relíquias da Morte é excelente ao adaptar o universo tenso e sombrio de J. K. Rowling para as telas. Já falei muito sobre o filme aqui.

9. Rastros de Ódio
Começa aqui a razão da mudança nas minhas listas em 2011, para filmes novos e geral, porque vi alguns longas antigos no cinema do CCBB em 2010. Rastros de Ódio é um clássico de John Ford, certamente um de seus longas mais famosos. Protagonizado pelo rei dos faroestes John Wayne, a produção, na fase colorida da carreira de Ford, conta a história de um homem que deseja vingar o assassinato de seus familiares e, mais que isso, encontrar sua sobrinha, sequestrada pelos índios. Desde já um de meus faroestes prediletos (embora eu tenha assistido menos longas do gênero do que gostaria).


John Wayne

8. Onde Vivem os Monstros
Considero Onde Vivem os Monstros um filme subestimado. Muito pouco se falou do longa de Spike Jonze inspirado no livro infantil de Maurice Sendak, quando o encaro como um retrato sensível, psicológico e lúdico do universo infantil. Com personagens carismáticos (embora, admito, boa parte dos monstros seja estereotipada), um excelente trabalho de dublagem, e uma trilha sonora fantástica composta pela cantora indie Karen O, o longa se beneficia inclusive da cenografia da "vila dos monstros", simplista como seria o universo imaginado por uma criança. Claro que a participação de Catherine Keener como a mãe do protagonista é um ótimo bônus, já que nos últimos anos a atriz vem se especializando em escolher papéis que sempre me agradam, o que acabou gerando uma admiração da minha parte por seu trabalho.

7. Como era Verde o meu Vale
Outro clássico de John Ford, dessa vez nem de perto um faroeste, e ambientado na sua Irlanda natal. É um melancólico retrato de uma cidadezinha que gira em torno de uma indústria em uma época em que realmente parecia interessante falar em socialismo, pois o capitalismo fordista (muito bem satirizado por Chaplin em Tempos Modernos) era cruel e não havia leis trabalhistas e muito menos de direitos humanos. Assistimos ao longa pelo ponto de vista de uma criança, que vê seus irmãos e pais trabalhando à exaustão e tem que lidar com as dificuldades da pobreza e da falta de oportunidades do lugar.

6. Kick-Ass
Dois filmes pop adaptados de quadrinhos em seguida. Kick-Ass é um espetáculo muito divertido mas que só foi alçado à fama pelo desempenho brilhante da garota Chloë Moretz como a Hit-Girl, a personagem do ano na minha opinião. Todo o filme é muito empolgante, claro, o roteiro é até bem amarrado e etc., mas a Hit-Girl rouba a cena descaradamente. "Me? I'm Hit-Girl".


A Hit-Girl

5. Scott Pilgrim Contra O Mundo
Falei sobre Scott Pilgrim na seção de quadrinhos, mas preciso dizer que o filme é muuuuito cool! Tem várias liberdades com relação ao original, mas adorei tudo! Adorei ver a Mae Whitman (a Amber de Parenthood), o Brandon Routh e o Jason Schwartzman fazendo participações hilárias. O Michael Cera é ótimo pro papel e eu ameeeei a Knives Chau (mais bacana que na HQ, eu diria) da Ellen Wong, mas meu destaque vai mesmo pro Kieran Culkin (pra quem não sabe, irmão do Macaulay), que está divertidíssimo como o amigo gay de Scott, Wallace. As referências a videogames foram intensificadas no longa e sua própria estrutura lembra mais uma sequência de fases que de atos, hahaha. A trilha sonora então? Espetacular! Os efeitos sonoros e visuais também são muito eficazes, bem como a montagem com transições sutis e curiosas, mexendo um pouco com a noção de tempo do espectador. Destaque máximo para a cena em que Pilgrim está meio abobalhado e nem percebe o que está fazendo.

4. A Ilha do Medo
Que Scorcese é um dos melhores diretores de todos os tempos ninguém duvida. Seu trabalho em A Ilha do Medo é um dos mais eficazes dos últimos anos (aliás, arrisco a dizer que é o melhor da parceria com o DiCaprio). O filme é construído sob uma atmosfera exasperante de tão tensa, e é impressionante a habilidade do veterano diretor e sua equipe de nos fazer acompanhar o protagonista em seus temores. Todo o elenco é fabuloso, desde a participação de Michelle Williams (uma atriz que sempre foi interessante, mas agora vem cada vez melhor e sabendo escolher muito bem seus projetos. Sou seu admirador desde Dawson's Creek, série de cujo elenco ela sempre foi a mais talentosa) ao próprio DiCaprio. E o roteiro é também fantástico, conseguiu me surpreender com seu desfecho.

3. Tudo Pode Dar Certo
Alguns podem se espantar com essa privilegiada posição do último filme de Woody Allen. Nem é tão espetacular assim, embora seja ótimo. Mas ele está aqui porque me fez pensar por muito tempo depois da sessão, sobre o protagonista vivido por Larry David. Eu tenho muito medo de ficar igual quando mais velho. Já tenho as tendências solitárias e rabugentas e a cada dia perco mais a fé na humanidade. Não me esqueço de quando ele comenta que colocaram descargas automáticas nos banheiros públicos porque não podemos confiar no homem nem sequer para apertar a descarga. Deprimente. Mas reflexões à parte, o longa é hilário! Patricia Clarkson está divertidíssima e eu adoro a lindinha Evan Rachel Wood. O destaque é o cinismo de Larry David, claro.


Larry David e Evan Rachel Wood

2. Toy Story 3
Quem diria que uma sequência, e realizada após tantos anos, pudesse ser um filme tão bom, hein? Não posso afirmar que seja o melhor da Pixar. Creio que Os Incríveis e Ratatouille são sutilmente superiores. Mas é um longa perfeito! Eu revi os dois anteriores alguns dias antes e tinha a história fresca na minha mente. Como não se emocionar ao rever aqueles personagens queridos? Não resisti a algumas cenas mais comoventes. Passei toda a projeção com um sorriso de ponta a ponta. A Pixar é o estúdio mais consistente de Hollywood.

1. A Origem
Eu queria ter feito um post sobre A Origem após o lançamento. Mas não saiu. Agora eu não poderei escrever com a mesma empolgação, mas... nem tem muito o que dizer. Eu não encontrei falhas neste que é pra mim o melhor filme dirigido por Christopher Nolan. A Origem foi em 2010 o que Matrix foi em 1999. Ou quase. Matrix foi um pouco mais impactante pelo visual estilizado e pelas cenas de luta. Mas em termos de ideias e roteiro... uau! Pensei em sonhos por um bom tempo e até hoje sinto uma pontada de vontade de mestrar um RPG partindo da premissa da invasão dos sonhos! Uau! Uau!
Só mais um comentário a acrescentar: este me parece ter sido um ano relativamente fraco para o cinema. Excetuando A Origem, tive profunda dificuldade de montar meus tops. Não conseguia decidir nenhum filme bom o suficiente para ficar em segundo ou terceiro lugares.



Filmes - Geral

Menções Honrosas: Kick-Ass, Como era Verde o meu Vale e Um Sonho Possível.
Kick-Ass e Como era Verde o meu Vale foram comentados acima.
Eu seeeei que Um Sonho Possível é clichê e piegas. Também sei que a atuação de Sandra Bullock, por mais que esteja legal, não merecia o Oscar. Ainda assim, deixei o filme registrado aqui porque me arrancou algumas lágrimas. Saber que é uma história real me permitiu ter um pouquinho de fé na humanidade, ainda que logo esta tenha sumido. =P

10. O Fantástico Sr. Raposo
Wes Anderson é um diretor que me atrai. Não vi tantos filmes dele, mas preciso resolver logo esse problema. =P O Sr. Raposo é um pai de família (sim, é uma raposa =P) malandro. Prefere roubar galinhas que trabalhar. Isso provoca a ira dos fazendeiros locais e logo a confusão está armada. A trilha sonora é deliciosa e os diálogos de Anderson são sempre provocantes. Se você gostou de Os Excêntricos Tenenbaums, provavelmente apreciará O Fantástico Sr. Raposo. É semelhante, porém em stop-motion! ^^

9. Laços de Ternura
Eu adoro dramas. Laços de Ternura é um filme adorável protagonizado por Shirley McLaine, que é mãe da personagem de Debra Winger. O relacionamento das duas é o cerne da história. Enquanto a filha vive seus romances, a mãe tem dificuldades para confiar em homens novamente. É aí que entra o vizinho garanhão interpretado por Jack Nicholson. John Litgow (o Trinity Killer da quarta temporada de Dexter) faz uma boa participação. Engraçado, comovente, triste e emocionante! Ah, o filme tem uma continuação realizada anos depois, O Entardecer de uma Estrela, que é muito bom também, embora inferior ao original.

Debra Winger e Shirley McLaine em Laços de Ternura

8. Scott Pilgrim Contra O Mundo
Vide comentário mais acima.

7. A Ilha do Medo
Vide comentário mais acima.

6. O Segredo dos Seus Olhos
Belíssimo longa do argentino Juan José Campanella, que conta a história de um recém aposentado oficial de justiça. Após a aposentadoria, o personagem, vivido por Ricardo Darín em uma composição calculada, decide escrever suas memórias, e se vê relembrando um incidente do passado, quando investigou com seu parceiro de trabalho o assassinato de uma jovem mulher, a pedido do viúvo, chefiado por Irene, a belíssima mulher por quem nutre uma paixão secreta. Não há muito o que reclamar da obra, que surpreendente e felizmente derrotou A Fita Branca no Oscar de Filme Estrangeiro. Seu roteiro é excelente, todos os aspectos técnicos, desde maquiagem à efeitos sonoros, são corretíssimos, as atuações dos principais membros do elenco exemplares e a direção impecável. Romance, drama, aventura, suspense e até uma pitada de comédia. Recomendo fortemente!

5. Tudo Pode Dar Certo
Vide comentário mais acima.

4. Mary & Max
Uma das mais belas e tocantes animações de que tive notícia, Mary & Max é capaz de levar valentões às lágrimas com sua história emotiva. Mary é uma garotinha australiana de 8 anos nascida em uma família problemática e que resolve escrever para um americano. Escolhe um nome ao acaso na lista e descobre Max, um senhor de 44 anos, com problemas de obesidade e relacionamento. Os dois começam então a trocar cartas e depois pequenos presentes e guloseimas e dialogam sobre os mais diversos assuntos. O tempo passa e acompanhamos o desenrolar das vidas dos dois personagens através de sua correspondência. É impressionante como uma narrativa consegue se sustentar de maneira belíssima quase que inteiramente através de cartas. Certamente o custo da produção foi bem reduzido e ela merecia ter sido indicada a inúmeros prêmios, ainda que seu forte não seja o apuro técnico (embora este conte com bastante criatividade). Enfim, não deixem de assistir, mas tenham seus lenços em mãos.

3. O Segredo de Kells
Fiquei completamente apaixonado por esta animação. Comentei muito brevemente sobre ela no meu post sobre o Oscar deste ano, que pode ser lido aqui. A história imagina a origem do Livro de Kells, um trabalho ilustrado considerado um dos maiores tesouros da história irlandesa. Vejam algumas páginas aqui. O estilo da animação busca mimetizar a arte do livro, inclusive as cores, e é perceptível a origem celta do manuscrito, ainda que este seja cristão, uma vez que foi produzido numa conflituosa época de transição entre as duas influências religiosas. Mesmo que o filme não fosse tão legal, só este esforço visual para se assemelhar ao Livro de Kells já valeria a recomendação, mas a história, a trilha sonora e mesmo a dublagem garantem o destaque da obra.


Brendan e Aisling em O Segredo de Kells

2. Toy Story 3
Vide comentário mais acima.

1. A Origem
Vide comentário mais acima.


O perfeito cartaz de A Origem


Encerro o post com meus votos de Feliz 2011 para todos e com um excerto de O Segredo de Kells, com a bela canção entoada pela personagem Aisling: