sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cinema, Meditação e etc.

Mais vinte dias sem posts. Recebi a sugestão de tirar o Na Toca do Lobo do PDF e publicá-lo em um site ou aqui no blog mesmo. Certamente é uma involução o uso de um formato de revista/jornal, quando estes estão se extinguindo em prol do jornalismo online. Todavia, ainda não sei como proceder. Certamente os reviews seriam mais úteis na época do lançamento das coisas e não no final do mês. Há dias Harry Potter e o Enigma do Príncipe estreou, mas vocês ainda levarão mais uma semana para ler minha análise. Algo está errado, não acham? Talvez a melhor opção fosse publicar os reviews conforme eu assista/leia os objetos de revisão e ao final do mês reúno todos no PDF, acrescentando as matérias e o editorial, assim agrado a gregos e troianos. =P O que vocês pensam desse assunto?


Bem, este post tem dois temas principais, sobre os quais desejo falar há algum tempo e só hoje estou conseguindo.


Há algumas semanas fiz um curso ministrado pelo Pablo Villaça, crítico e editor do Cinema em Cena, sobre Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica, realizado pela primeira vez na capital do país. O objetivo é apresentar conceitos da teoria de cinema e estimular as mentes dos alunos, para que possam analisar os filmes assistidos de maneira mais crítica.
O Pablo me surpreendeu com sua didática e com a organização dos temas apresentados, fazendo uso de trechos de inúmeros filmes, e mantendo a turma acordada através do seu bom humor. A turma foi outro espetáculo, extremamente heterogênea. Alunos de cinema, profissionais de exatas (como eu), estudantes, jornalistas, muitos funcionários públicos e até mesmo a dona de um site de Harry Potter e um bombeiro! Todos simpáticos e dispostos a contribuir para o sucesso do curso.
A primeira aula, "Histórico da Crítica, Função e Formação do Crítico" fala da primeira crítica da história, apresenta alguns teóricos importantes, que ajudaram a definir o cinema, enumera as funções e características de um crítico e o que ele não deve fazer. Mas, principalmente, elenca os principais conceitos sobre a Estética do Filme, como quadros, profundidade, perspectiva, plano e movimentos de câmera.
Na segunda aula, "A Linguagem do Cinema", observamos a evolução da linguagem cinematográfica com o passar dos anos, conforme nos tornamos espectadores mais sofisticados, introduzindo alguns dos recursos utilizados pelos criadores.
A aula seguinte, "O Cinema e a Narração", trouxe um tema que me chamou especialmente a atenção, por se tratar do aspecto narrativo dos filmes. Destaco o Modelo Actancial, elaborado por A. J. Gremais, que propõe a divisão dos personagens de uma narrativa em seis papéis (actantes): o Sujeito (quem procura conquistar algo, move a ação); o Destinador (torna possível a conquista, apresenta o objetivo); o Destinatário (quem conquista o prêmio, se beneficia do objetivo); o Objeto (o que se deseja conquistar, o que o Sujeito persegue); Adjuvante (elementos que favorecem a conquista do Objeto, ajudam); e Oponente (se opõe à conquista do Objeto, atrapalha). Nem todas as narrativas possuem os seis papéis, e em muitos casos um mesmo personagem está em vários deles.
A aula quatro, "A Montagem", versou acerca do papel do montador em uma película, seus objetos e objetivos, funções e recursos utilizados pelos profissionais do ramo para contar histórias.
A quinta aula, "O Espectador e o Fenômeno da Identificação", trata de psicologia, como funciona a mente do espectador, como os narradores cinematográficos podem fazer com que ele se identifique com elementos do filme e capturar a sua atenção pela história sendo contada. Nesta aula, destaco negativamente o uso das teorias Freudianas como base psicanalítica, sem realizar minimamente um contraposto com o outro grande teórico da área, Jung.
A sexta e deveras interessante aula, "Roteiro e Direção", iniciou com um duelo antigo entre roteiristas e diretores sobre quem deveria ser mais importante e possuidor do filme. A verdade é que tanto um quanto outro, além do montador, são igualmente importantes, sem levar em consideração todos os profissionais que de alguma forma contribuem para o sucesso da obra. A aula apresenta ainda o roteiro, sua divisão em atos, como formatá-lo, além de um conjunto de recursos passíveis de utilização na elaboração da obra inicial para gerar o filme. Um trecho do roteiro de Cidade de Deus é utilizado para ilustrar os elementos apresentados. Finalmente, os alunos são apresentados ao papel do diretor, separando diretores mais autorais (que deixam sua marca registrada) de diretores mais discretos (que se adaptam bem às necessidades, mais flexíveis).
A aula sete, "Direção de Arte, Fotografia e Som", apresenta superficialmente cada uma dessas áreas, estabelecendo os papéis de seus profissionais e organizando conceitos relacionados.
Na última aula, "Metodologia de Trabalho e Cotações", Pablo rapidamente explica seu modus operandi: levar um pequeno caderno ao cinema e realizar anotações durante a exibição, de quaisquer aspectos que chamarem a atenção. O caderno deve ser fácil de manusear e escrever sem apoio, e, como não teremos iluminação, devemos escrever sem ver, o que vai gerar muitos rabiscos de difícil compreensão. Graças a isso, ao chegar em casa devemos transcrever as anotações enquanto frescas, ampliando alguns detalhes. Por fim, quando for desejado escrever uma crítica, basta agrupar as anotações em temas (atuação, fotografia, aspectos da direção) e estes praticamente gerarão os parágrafos de seu texto final. Um exemplo de anotações transcritas e de crítica foi apresentado e um conjunto de livros importantes da área foi sugerido.
Em suma, o curso foi muito interessante e, mesmo tendo que assistir às aulas após cansativos dias de trabalho, apreciei cada instante. Os reviews de filmes na edição 2 do Na Toca do Lobo estão sendo redigidos fazendo uso das técnicas de redação de crítica sugeridas pelo Pablo.


Outro curso que fiz foi o Introdutório de Meditação Raja Yoga, ministrado pela Organização Brahma Kumaris, acerca do qual já comentei aqui (após a primeira de três aulas). Após um conjunto de conceitos importantes para a real compreensão do assunto, como o fato de sermos Alma e o Corpo ser apenas um veículo e a existência de três planos (o Mundo Físico, onde vivemos; o Mundo Sutil, uma região de luz branca sem som nem matéria; e o Mundo Incorpóreo, lar de Deus e das almas), fomos apresentados à Meditação Raja Yoga, que pode ser traduzida como Conexão com o Ser Supremo.
Meditar nada mais é do que se comunicar com Deus, escolhendo uma maneira de se relacionar com ele através de pensamentos elevados: vendo-o como uma mãe (oferece amor incondicional); pai (oferece proteção); professor (descoberta das verdades); amigo (apoio em qualquer momento); entre outros. A Meditação Raja Yoga pode ser realizada de olhos abertos e em qualquer posição, até mesmo em movimento, pois o importante é limpar a mente de impurezas, ter pensamentos elevados e conversar com Deus. Eis abaixo os passos, retirados da Apostila:
1) Desapegar o eu dos pensamentos negativos, inúteis e mundanos;
2) Criar pensamentos elevados sobre meu estado original;
3) Visualizar-se em um lar de luz espiritual e de silêncio;
4) Visualizar-se como um ponto de luz consciente diante de Deus em sua forma radiante de luz e ficar aberto para receber seu amor;
5) Experimentar diferentes tipos de relacionamento com Deus.
Ainda no curso fomos orientados sobre práticas de estudo espiritual e acerca dos benefícios de uma alimentação vegetariana. Quem sabe um dia eu abdique de ingerir substâncias de origem animal, mas ainda não estou preparado para isso.


Concluo o post com dois vídeos:



(Hayley Legg, cover da bela música Cannonball, de Damien Rice)


(The Veronicas - Untouched, recomendada na primeira edição de Na Toca do Lobo)

sábado, 4 de julho de 2009

Na Toca do Lobo

Há algumas semanas venho preparando um projeto especial, e fazendo suspense sobre o mesmo no meu Twitter. Pois então, acabo de concluí-lo. Trata-se de um jornalzinho com reviews de filmes, livros, séries, quadrinhos e música, além de algumas matérias adicionais, que escrevi durante todo o mês de junho e pretendo lançar no primeiro final de semana de cada mês.
Minha primeira dificuldade foi um nome. Pensei em utilizar algo da mitologia nórdica, mas não achei nada legal. Também pensei em indicar o tema do jornal, como "Pop News", sei lá. Mas acabei me decidindo por Na Toca do Lobo, afinal é um trabalho com o que se passa na minha cabeça. De qualquer forma, se eu encontrar um título melhor (e aceito sugestões), trocarei sem pudores, mantendo a numeração.
A segunda dificuldade foi escrever tudo. São 33 páginas, somando 16.778 palavras, a maior parte delas escritas por mim. Num mês em que recebi visita de familiares e fiz dois cursos, tive que fazer milagres. A semana passada foi especialmente corrida, e acabei decidindo cortar algumas coisas, como um conto que me faria retornar à narrativa após um ano e meio.
A terceira dificuldade foi a diagramação e o visual, partes da produção de um jornal que eu decididamente não sei fazer. Mas como eu queria fazer suspense, acabei não pedindo ajuda a ninguém. Bom, chega de enrolação. Com vocês:

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Michael Jackson: 1958-2009

É lastimável que, às vésperas de uma nova e aguardada turnê, Michael Jackson tenha falecido. Eu não pretendia fazer esse post hoje, mas tive que fazer uma pequena homenagem ao Rei do Pop. É incrível a contradição ao redor de sua vida. Se por um lado ele provavelmente tenha sido o mais completo músico de todos os tempos (os Beatles eram melhores compositores sim, Elvis Presley era tão bom performer quanto, e alguns poucos poderiam ser melhores dançarinos, mas Michael era excelente nos três pontos), por outro a sua fama, a ausência de infância e adolescência, o fato de seu pai tê-lo usado como uma forma de ganhar dinheiro tornaram-no uma das figuras mais bizarras e trágicas do showbiz, mudando a cor da pele, realizando inúmeras cirurgias plásticas, sendo acusado de pedofilia (se verdade, talvez graças ao fato de nunca ter tido oportunidade de crescer como uma pessoa normal).
A verdade é que nunca fui um grande fã, talvez por não ter passado por seu auge, nos anos 80, quando eu ainda não ouvia música por vontade própria. Mas tive a oportunidade de conhecer seus principais sucessos e ele definitivamente foi uma estrela. Somando sua carreira solo com a época em que cantava com sua família, Michael fica apenas atrás dos Beatles e de Elvis Presley em vendas de álbuns mundialmente, de acordo com o que pude apurar, chegando a cerca de 750 milhões. Também é dono do recorde de álbum mais vendido da história, com Thriller ultrapassando as 100 milhões de cópias. É realmente uma pena que sua carreira não tenha continuado brilhante como prometia.
É interessante que os dois maiores ícones musicais dos anos 80, Michael e Madonna, completem um ao outro. Enquanto ele era bom compositor, cantor e dançarino, mas não sabia conduzir sua carreira, Madonna não é boa compositora, nem cantora nem dançarina, mas é um dos maiores gênios da indústria do entretenimento, conduzindo sua fama da maneira que sempre quis e, após tantos anos, tornando-se um pouco talentosa em todas essas áreas. Bem, sem mais para dizer, deixo-os com alguns clipes e apresentações do Rei do Pop (os clipes podem sair do ar, porque a gravadora bloqueia =/).



(The Jackson 5 ao vivo: Rockin' Robin)



(The Jackson 5 ao vivo: I Want You Back)



(Don't Stop Til' You Get Enough - clipe)



(Billie Jean ao vivo - o primeiro Moonwalk - 1983 - decididamente um gênio da dança)



(Beat It ao vivo no Japão em 1987)



(Thriller, o famosíssimo clipe, versão original de John Landis)



(Black or White, outro famoso clipe, do qual lembro da estréia na TV aberta quando eu era criança)



Para encerrar o post, desejo que Michael possa finalmente descansar em paz após uma vida que parece ter sido muito turbulenta para uma única pessoa. Abaixo uma excelente apresentação da cantora britânica KT Tunstall do clássico dos Jackson 5, I Want You Back.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Vôlei e Meditação

Neste dia 20 fui assistir à seleção brasileira de Vôlei no Ginásio Nilson Nelson, aqui em Brasília. A equipe confrontou a Finlândia pela Liga Mundial. Foi muito bom poder assistir ao único esporte que realmente me atrai, e ver de perto alguns ídolos mundiais, como Giba, Serginho e Bernardinho. A estrutura do ginásio estava ótima: não enfrentei fila, os lugares eram numerados, o animador pré-jogo era divertido, etc. Infelizmente não ganhei uma blusa do Banco do Brasil (as amarelinhas que aparecem na TV), pois escolheram algumas arquibancadas e a que eu estava não ficou entre elas. Ainda atiraram outras para a platéia, mas novamente não dei a sorte.
O jogo em si foi divertido, o gênio Bernardinho já está montando uma equipe jovem de altíssimo nível (os titulares foram Visotto, Lucão, Sidão, Thiago, Murilo, Serginho e Bruninho, dos quais apenas Serginho está perto da aposentadoria) e a partida foi praticamente um passeio em cima dos visitantes. O único inconveniente foi estar sentado próximo à concentração dos reservas brasileiros em 2 dos 3 sets, ou seja, perto de onde Giba estava. É impressionante a quantidade de "Gibazetes" enlouquecidas pelo ídolo e que gritavam seu nome todo o tempo, como se ele fosse uma espécie de astro do rock internacional. Passei grande parte do jogo pedindo que saíssem da minha frente pois eu queria assistir à partida. Mas bem que eu mesmo gostaria de ter tirado uma foto com Giba e conseguido um autógrafo, como alguns poucos sortudos no ginásio ao final da partida. A verdade é que ele é um dos maiores ídolos do esporte nacional, provavelmente o único que nunca decepcionou a torcida e deve ser unânime entre os fãs.




Na tarde do sábado fui à sede brasiliense de uma organização mundial chamada Brahma Kumaris, ativa em mais de 100 países e sediada na Índia, que tem como objetivo ajudar as pessoas a adquirir maior compreensão de sua espiritualidade, conhecer a paz, etc. Seus métodos consistem na realização de cursos gratuitos (ministrados por voluntários), como de meditação, auto-estima, pensamento positivo, etc.
Fui participar de um curso introdutório à meditação Raja Yoga, realizado em 3 sábados, dos quais este foi o primeiro. Sempre tive vontade de meditar, mas sempre soube que para tanto era necessário livrar a minha mente de pensamentos, e isso é algo verdadeiramente difícil de se fazer, portanto eu desejava orientação profissional. Para meditar adequadamente de acordo com os princípios da Raja Yoga, é necessário aprender alguns conceitos teóricos, de forma a saber como realizar a meditação.
O primeiro e mais fundamental conceito a ser aprendido é que nós não somos o nosso corpo, mas sim uma alma. O corpo é um mero veículo do qual nos utilizamos aqui na Terra. O professor era espirituoso, e nos fez perguntas como:
- "Quanto você pesa?". "60kg", você pode responder. Mas este é o peso do seu corpo, não o seu. Almas não pesam.
- "Qual o seu nome?", que pode ser respondida como "Mariana", mas este é apenas o rótulo do seu corpo, usado para que possamos nos identificar neste plano, não o seu.
- Depois nos acusou de não ter alma, afinal nós somos uma.
- Nos explicou ainda que nossas almas são originalmente puras, como água. A água é inodora, insípida e incolor. Mas quando misturada com barro em uma poça de lama, não deixa de haver água ali dentro, ela só está com algumas inpurezas, que podem ser retiradas, através de decantação, tratamento, etc. Da mesma forma, nossa alma é pacífica, amorosa e pura, mas contém impurezas que devemos batalhar para limpar. A meditação é justamente um caminho para a limpeza da alma.
Em suma, com didática e cautela, o professor foi introduzindo conceitos hinduístas na nossa mente, e logo todos nos despedimos das 3 horas e meia de aula com um vigoroso "Om Shanti".

Abaixo o símbolo da Brahma Kumaris e uma imagem com textos em inglês que achei muito interessante, reunindo várias orientações religiosas.







(Desculpem a ausência de 22 dias. Estou muito ocupado com a preparação de uma surpresa a ser divulgada aqui na data provável de 4 de julho!)

domingo, 31 de maio de 2009

Movimento no Fim de Semana

Meu fim de semana foi cheio de atividades e decidi falar de algumas aqui.


Recital

Começou ainda na sexta à noite, quando fui conferir um Recital de Cello e Piano, tocados respectivamente por Kayami Satomi e Ronaldo Rolim, dois jovens virtuosos instrumentistas. Foram apresentadas duas peças: a Sonata para Cello e Piano em lá menor D.821 (Arpeggione) de Schubert; e a Sonata para Cello e Piano em sol menor, Op. 19, de Rachmaninoff. A primeira valorizou o cello de Satomi, que tocava com intensa emoção, demonstrando a tristeza das melodias através de seu semblante sofrido. Já a segunda, como era de se esperar de uma obra do compositor russo, trouxe uma bela e difícil melodia que valorizava o piano de Rolim. Este foi extremamente hábil, o mínimo necessário para acompanhar Rachmaninoff. Ambos os músicos têm formação no exterior e são destaques no cenário erudito brasileiro. Foi um excelente recital.


Kodama

No sábado fui para o Kodama, um evento de anime e mangá realizado em Brasília há alguns anos. Foi um dia bem divertido: visitei as barracas de lojinhas (inclusive comprei dois mousepads e mais algumas coisinhas); comi um yakisoba tradicional, saboroso; assisti a uma hilária apresentação de Teatro Cosplay, na qual o Mario (mascote da Nintendo) se internava em uma clínica de reabilitação, e o Shigeru Miyamoto (um dos principais nomes dos games no mundo) realizava um concurso para eleger a nova mascote da empresa. Uma Princesa Peach ninfomaníaca, o Mario atrás do armário, e outros absurdos como estes foram apresentados na divertida e nonsense encenação; e o mais empolgante, pude ver inúmeros cosplays, dos mais criativos, dos mais toscos, dos mais caros, dos mais famosos e dos desconhecidos.


Quermesse Junina

Nem chegamos em junho ainda, mas a população brasiliense adora fazer quermesses de São João, repletas de comidas típicas, pescaria, quadrilha, etc. Sábado à noite visitei a primeira da temporada. Comi muita besteira, assisti a uma quadrilha com estilo mineiro e me diverti bastante. É um São João bem diferente do Nordeste, mas nem por isso menos atraente.


Six Feet Under

Na madrugada de sábado, assisti aos três episódios finais da série Six Feet Under (A Sete Palmos). Claro, o final foi espetacular. Aliás, ainda melhor do que eu jamais havia imaginado. Que personagens complexos! Que discussões interessantes! Que fantásticos debates sobre vida e morte! É mesmo uma série de altíssimo nível, com um ritmo bem mais lento que muitas por aí, e alcançando um padrão de qualidade invejável, do início ao fim de suas 5 temporadas divididas em 63 capítulos de 50 minutos. O elenco é primoroso, como já citei antes aqui. Os 10 minutos finais foram sublimes, o melhor encerramento possível. O criador Alan Ball está realmente de parabéns.


War Império Romano

Para encerrar o atribulado final de semana, passei a tarde de domingo jogando o jogo recém-adquirido pelo meu amigo Cláudio, War Império Romano. Foi deveras empolgante ter que planejar estratégias de vitória. Permaneci me lembrando do Arte da Guerra de Sun Tzu, estratégias de divisão e conquista, etc. Foram 3 partidas e eu ganhei 2! =D Claro que contei com a sorte nos dados. Minhas defesas foram impenetráveis algumas vezes, e tive até meu momento "This is Spartaaaa!". Ótimo jogo!



É isso, pessoas. Agora recomeça a correria da semana, bom trabalho para todos!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Gossip Girl

O Alex do Espaço da Cultura Inútil me recomendou algumas vezes a série Gossip Girl. Mas ele gostava de O.C., e eu vi algumas vezes e não achei a menor graça em um seriado só com gente rica. Contudo, Gossip Girl era estrelado pela Blake Lively, uma atriz que conheci no longa (e em sua sequência) Quatro Amigas e um Jeans Viajante, que também conta com a Alexis "Rory" Bledel (Gilmore Girls), a atualmente badalada America Ferrera (Betty, A Feia) e Amber Tamblyn (Joan da Arcádia e a novíssima The Unusuals). Como admiro bastante o filme, me deu vontade de conferir a série. Os primeiros episódios são bons e tal, mas... não sei, ainda não tinha realmente me conquistado.
A sinopse: Serena Van Der Woodsen (Lively), Blair Waldorf (Leighton Meester), Nate Archibald (Chace Crawford) e Chuck Bass (Ed Westwick) são jovens ricaços da elite de Manhattan, mais precisamente do bairro Upper East Side. Os quatro estudam juntos e se conhecem há alguns anos. Dan Humphrey (Penn Badgley) é um morador comum do Brooklyn, mas estuda no mesmo lugar com uma bolsa de estudos. A premissa básica da ação é que uma garota misteriosa se autodenomina Gossip Girl e usa um blog (além de SMS) para emitir fofocas sobre a juventude de Manhattan.
O início da série é centrado em Dan e Serena, e eu decidi continuar assistindo porque gostava do romance. Mas, no desenrolar da história, Chuck e, principalmente, Blair mostraram ser os verdadeiros protagonistas da história. Ok, todos participam com importância, mas eles são os melhores personagens e os fãs (andei espiando os comentários em uma comunidade do Orkut =P) os amam. Parte é culpa dos roteiristas, mas decididamente os atores influenciaram este rumo. Leighton Meester, além de belíssima, é talentosa. Gostaria de vê-la no cinema em papéis diferentes, como dramas, para ver se é talento ou se ela realmente é como a personagem. Mas Blair, com todas as suas contradições, é de muito longe o que há de melhor em Gossip Girl e a razão pela qual eu passei a apreciar de verdade o seriado.
Completam o elenco Jenny (Taylor Momsen), a irmã de Dan; Rufus (Matthew Settle), o pai deles; Lily (Kelly Rutherford), mãe de Serena; e Vanessa (Jessica Szohr), amiga de Dan, entre outros com menor destaque.

Bem, é isso aí. Alex, obrigado pela indicação! =D E até a próxima temporada, Gossip Girl.

XOXO



Curiosidade: a Gossip Girl é dublada por Kristen Bell (Veronica Mars e Heroes).

Abaixo algumas fotos da série e do elenco:


(Da esquerda para a direita: Blair, Dan, Serena, Nate, Chuck e Jenny)

(Da esquerda para a direita: Blair, Nate, Serena, Dan, Chuck e Jenny)

(Da esquerda para a direita: Nate, Serena, Chuck, Blair, Dan e Jenny)

(Blair Waldorf, com todo o seu estilo - olha aí, Denise, eu falando de moda! XD)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Twitter, Wolverine e A Sete Palmos

Twitter

Minha amiga Mari me convenceu a entrar no Twitter e eis que estou adoraaando. Realmente é algo viciante. Para aqueles que quiserem acompanhar meus posts por lá, acessem http://twitter.com/tocadolobo. Adicionei o link ali do lado também! =D
Para quem não sabe, o Twitter é um sistema de post de mensagens curtas (140 caracteres), utilizado como uma espécie de Diário Online, embora os usuários personalizem como desejam. Alguns postam pensamentos que lhes ocorrem, outros o que estão fazendo, ainda outros o resumo do dia, links interessantes, e por aí vai. Mas a idéia de posts curtinhos é ótima! Recomendo!


X-Men Origens: Wolverine


Bem, eu nunca pensei que este filme seria tão decepcionante, sobretudo no seu roteiro, que altera despropositadamente grande parte da história do personagem, coloca personagens em situações pavorosas, e descaracteriza completamente a cada um dos presentes. Cada um. Logan é o mais fiel, para se ter idéia. O que dizer de Emma Frost? Aaaaargh! Eu a detesto nos quadrinhos, mas ela não é uma personagem ruim, só não casa com meu gosto pessoal mesmo. Sinceramente, vou me candidatar a roteirista da Marvel, porque eu faria um roteiro melhor. Bom, roteiros à parte, a ação do filme é regular, anima em determinados trechos. Não deixa de ser um pouco excitante ver algumas das passagens da memória dos quadrinhos ali na tela. E a cena de abertura é magnífica (como bem disse o Pablo Villaça em sua crítica)! Me pergunto se realmente o diretor dessa cena é o mesmo do restante do filme. =P Contudo, o roteirista é, pois estão tão descaracterizada quanto o restante.
De qualquer forma, o filme é médio, mas até que diverte um pouquinho.
3 estrelas em 5


A Sete Palmos

A série Six Feet Under (A Sete Palmos no Brasil) foi exibida entre 2001 e 2005 na HBO, e conta a história de uma família que administra uma funerária. Quando me falavam da série, eu sempre pensei que mexeria com o sobrenatural, mas, quando decidi assisti-la, descobri que não era bem assim. O admirável Richard Jenkins (do maravilhoso The Visitor, já comentado aqui) interpreta Nathaniel Fisher, o patriarca dessa família, um personagem curiosamente dúbio em algumas de suas características. Frances Conroy (atriz de pontas em inúmeras séries) faz o papel de sua esposa, Ruth Fisher, uma personagem que adoro e torço para que consiga ser feliz. Peter Krause (ator de TV, como o atual Dirty Sexy Money) faz o primogênito Nate Fisher, um dos meus favoritos, e talvez o real protagonista da história. Michael C. Hall (que mais tarde se destacaria como o Dexter da série) faz David, o segundo filho. Um personagem interessante, cuja personalidade cresce aos poucos. Lauren Ambrose (nada muito promissor na biografia) completa a família como a caçula Claire Fisher, que inicia adolescente e nos permite acompanhar seu amadurecimento passo-a-passo. Completam o elenco Mathew St. Patrick como Keith, Rachel Griffiths como Brenda (certamente a mais complexa personagem da série) e Freddy Rodríguez como Rico.
A história é profunda, os personagens são todos tridimensionais, seus dramas são reais e cada episódio apresenta emoções inesperadas. O ritmo é um pouco lento, mas é proposital, pois no dia-a-dia não é toda semana que ocorre uma reviravolta em nossas vidas (como acontece em tantas séries por aí).
Os episódios sempre começam com algum personagem morrendo, e o roteirista usa sua criatividade para apresentar uma morte diferente das anteriores. Essa morte normalmente influencia de alguma forma o desenrolar do capítulo.
Mas o principal, eu diria, está na criatividade com a qual os autores demonstram os sonhos, devaneios e pensamentos dos personagens. As cenas realmente ocorrem na nossa frente e em vários casos só descobrimos se tratar de algo na mente de alguém quando a cena passa. Genial!
Bem, série excelente. Já vi 2 de 5 temporadas e estou começando a terceira!

(da esquerda para a direita: Brenda, Nate, David, Keith, Rico, Claire e Ruth - clique para ampliar)



Amanhã espero ver Star Trek. Não conheço muito deste verdadeiro titã da ficção científica, mas se apreciar o longa, penso em assistir a série clássica.


Me despeço com mais uma apresentação doce da Hayley Legg, um cover da I'm Yours do Jason Mraz.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Papo Rápido

É o último dia do mês e decidi preparar um post nessa noite de quinta, véspera de feriado. Ando com a mente dispersa e por isso não tenho comparecido neste local com a frequência que gostaria. Claro que o número de leitores é diminuto o suficiente para que praticamente ninguém sinta a falta dos posts, além de mim mesmo.
Não lembro se já disse isso aqui, mas diferente do meu fotolog, que tinha se tornado um espaço dedicado, sobretudo, aos outros (eu postava pelos comentários, não pelo prazer), este blog é dedicado a mim. Escrevo quando quero, quando sinto vontade, e sobre o que me der na telha.

Bem, o que tenho visto/lido de novo?

Pasmem, eu finalmente assisti Annie Hall (o título nacional é distante do filme, na minha opinião), a mais aclamada obra de Woody Allen. Claro, me falaram tanto do filme que minha expectativa era a mais alta possível. Eu o adorei, como não? Mas também não deverá aparecer no meu Top 10 do final do ano. De qualquer forma, Allen é genial, Diane Keaton é talentosíssima (é triste ver como ela desperdiçou muito de sua carreira promissora) e os diálogos do longa, como não poderiam deixar de ser, são virtuosos.

Também ando numa difícil jornada para tentar completar minha filmografia da Christina Ricci. Pretendo depois elaborar uma série de posts discutindo sua carreira em detalhes.

Sábado passado me deparei com o fabuloso Terra. O documentário é uma produção conjunta da Disney Nature (novo selo da Disney para esse tipo de filme), da BBC (talvez a maior produtora de documentários do mundo) e do Discovery Channel. A obra busca nos apresentar a um ano no Planeta Terra, acompanhando as agruras e proezas dos animais que aqui habitam. Lembra um documentário que passa no Discovery mesmo, mas com produção sublime (a trilha sonora é admirável) e, claro, a vantagem de ver tudo aquilo na telona. As imagens são... espetaculares! Destaque supremo para uma cena do início onde somos transportados a uma imensa quantidade de pássaros migrando pelo céu. A imagem é tão espetacular que encheu meus olhos d'água. Apenas lamento a terrível decisão do cinema de exibir uma cópia com a voz do narrador dublada, talvez visando atrair o público infantil. O original era narrado simplesmente por James Earl Jones, a inesquecível voz de Darth Vader. Uma espécie de Cid Moreira americano, hahahaha! "Que surpresas nos reserva para hoje, Mister M?"

Também ando vendo muitas séries. Acompanhei o final da terceira temporada de Heroes, passei a assistir Gossip Girl (que parece apenas fútil, mas consegue lhe pegar de jeito com alguns personagens brilhantes) e estou começando a ver a badalada A Sete Palmos. É curiosíssimo ver o Michael C. Hall - hoje conhecido como o Dexter do seriado homônimo - em outro papel, muuuuito diferente do seu atual. Mas o interessante é que desde 2001 até hoje ele só atua se for com cadáveres! =D

Nos quadrinhos, o destaque tem sido o início da mega-saga Invasão Secreta na Marvel. Começou bem, eu diria. Só em ser escrita pelo Bendis, promete ser melhor que Guerra Civil, essa escrita pelo Millar. Não que eu não goste do Mark Millar, mas ele é pura pancadaria. =P Excelente pancadaria, mas ainda pancadaria, hahahaha!

Na literatura, destaco o ótimo A História sem Fim, de Michael Ende. O livro originou os filmes, mas a verdade é que as adaptações não são exatamente fiéis, sabe? Bom, a obra original ganha muitos pontos pela criatividade. Eu sempre folheava o livro e me admirava por ver letras verdes e vermelhas. Acreditava ser mero apreço visual, mas apenas lendo fui capaz de descobrir a razão para essa dualidade de cores.


Bem, por hoje é só, pessoal. ^^ Ando pensando em algo para este espaço. Mas ainda não sei se vou seguir em frente com a idéia, estou amadurecendo. =)

Bom feriado para todos!

sábado, 18 de abril de 2009

Presságio e Einstein

No post de hoje vou falar de dois temas distintos: um filme e um livro.


O primeiro deles é o filme Presságio, dirigido por Alex Proyas (Cidade das Sombras e Eu, Robô) e estrelado por Nicolas Cage (Adaptação, Motoqueiro Fantasma, ...). Não há como falar muito do filme sem fazer spoilers, por isso meu comentário poderá parecer vago pra quem não assistiu, mas não revelarei nada.
O filme tem início em 1959, na inauguração de uma escola em Massachussetts. A escola faz um concurso entre os alunos em busca da idéia mais original para marcar a inauguração. Uma garotinha estranha e calada chamada Lucinda sugere a criação de uma cápsula do tempo. Para quem não sabe, dá-se esse nome a uma espécie de caixa onde colocamos itens da época e escondemos, de forma que em um futuro distante a caixa seja aberta e esses itens lembrem a época em que foi escondida.
Então a escola decide que cada aluno deve fazer um desenho de como acha que será o mundo em 50 anos. Esses desenhos seriam colocados na cápsula, que seria enterrada no jardim da escola e aberta em 50 anos. A estranha Lucinda escreve compulsivamente uma série aparentemente ilógica de números, para estranhamento de sua professora.
Em 2009, o filho do personagem de Nicolas Cage estuda na escola e, na cerimônia dos 50 anos, recebe o "desenho" feito por Lucinda. Nicolas Cage descobre por acaso que esses números contém (de uma forma que não vou revelar) previsões de grandes catástrofes mundiais. E as três últimas ainda não aconteceram. Quando tem a prova da primeira delas, o personagem se torna obcecado por tentar evitar as demais.
Visualmente a direção de Proyas é inspirada. A cena da primeira catástrofe, que não vou detalhar, impressiona pelo seu realismo. Me senti assistindo a uma matéria jornalística. Fiquei estarrecido pelo impacto da cena, que já faz valer o filme. Além disso, a direção se esforça para criar um clima de tensão constante, que me deixou apreensivo até o aparecimento dos créditos finais.
O segundo motivo para apreciar Presságio é a verdade por trás dos acontecimentos. Quando finalmente tudo se esclarece, o filme mudou de aspecto. Tornou-se brilhante ao propor algo que já foi discutido e sugerido por estudiosos do assunto (do qual não posso dar detalhes sem spoilers). Aliás, tenho inclusive um tio que sugeriu que algo exatamente igual aconteceria.
5 estrelas em 5


O segundo assunto do post é o livro Einstein: Os 100 Anos da Teoria da Relatividade, que terminei de ler essa semana. Trata-se de uma biografia do célebre físico, permeada por explicações científicas da evolução das teorias físicas. O livro é bem escrito, sendo acompanhado por artigos de famosos, desde Arthur C. Clarke (escritor de ficção científica mais conhecido por 2001: Uma Odisséia no Espaço) a Stephen Hawking (talvez o cientista mais famoso do nosso tempo).
Einstein foi, no mínimo, uma pessoa singular. Sem se deixar levar por estudos que pareciam completamente sólidos, Albert gostava de refletir sobre as verdades. Mas não se escusava de usar a Matemática para provar muitas de suas idéias. Em 1905, quando era um completo desconhecido, publicou 5 artigos: o menos influente deles serviu para que obtivesse um doutorado. Os mais influentes criaram a Teoria da Relatividade, a dualidade onda/partícula da luz, a famosa equação E=mc² (relação entre massa e energia) e o quanta, que originou a Física Quântica como a conhecemos (ou achamos que conhecemos). Inicialmente taxadas como absurdas, todas essas idéias foram aos poucos sendo comprovadas, se não totalmente ao menos parcialmente.
E Albert Einstein tornou-se uma celebridade. Não no mundo da Ciência, mas entre os cidadãos comuns. Por não ter medo de defender aquilo que acreditava, por jamais ter se deixado corromper por dinheiro ou fama, por ser simplesmente alguém que se questionava acerca das verdades. Eu o encaixo mais como um Filósofo que como um Cientista. Era um pensador, e visava a paz tanto quanto Gandhi.
Mas é importante ressaltar que ele não era santo. Seus relacionamentos pessoais foram todos sofridos porque ele não parecia ser capaz de amar indivíduos isolados, apenas a Humanidade como um todo. Foi casado duas vezes, teve inúmeras amantes, teve um péssimo relacionamento com seus filhos, etc. De qualquer forma, isso apenas demonstra que somos todos humanos, e, portanto, falhos.
Einstein foi um gênio, um dos maiores de todos. Um espécime raro, daqueles que batalham pelo progresso, mas se preocupando com os inocentes.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Alan Moore: Watchmen

Não é novidade pra ninguém que Alan Moore é um dos meus maiores ídolos e, na minha opinião, o maior expoente mundial no ramo dos quadrinhos. Com o lançamento do filme baseado na sua história Watchmen, decidi aos poucos realizar uma análise da carreira do mago barbudo (vejam abaixo duas fotos dele, uma mais antiga e uma recente). Para começar, a história pela qual ele provavelmente ainda vá ser citado daqui a 50 anos.





Watchmen é uma obra em 12 edições lançadas entre setembro de 1986 e outubro de 1987 nos Estados Unidos, roteirizada por Moore, desenhada por Dave Gibbons e colorida por John Higgins, publicada pela segunda maior editora de quadrinhos do mundo, a DC Comics (a dona do Superman, do Batman e da Mulher Maravilha =P). Na época, Moore já era um roteirista conhecido e elogiado, embora ainda não reverenciado. Foi Watchmen que o alçou à condição de grande criador, assim como Cavaleiro das Trevas fez o mesmo por Frank Miller e Sandman (já citado no blog) por Neil Gaiman. Mas Alan Moore definitivamente não pode ser comparado com nenhum outro artista do ramo. Ele fez para os quadrinhos o que Shakespeare fez para a Literatura Inglesa e Orson Welles fez para o cinema. Sim, Watchmen é extremamente comparada a Cidadão Kane. Não pela genialidade de sua história (e, sim, ela é brilhante), mas por redefinir completamente o gênero. O cinema antes de Cidadão Kane era um, depois se tornou outro. Os quadrinhos nunca mais foram os mesmos depois de Watchmen.

Watchmen é um quadrinho de super-heróis. Pois é, essa grande obra-prima é sobre super-heróis. Mas Alan se questiona sobre o que aconteceria de verdade no nosso mundo se os heróis existissem. Que impacto isso teria num país como os Estados Unidos? Como a polícia reagiria diante de pessoas mascaradas fazendo o seu trabalho? Como o governo se posicionaria perante tais criaturas fantásticas. A maior parte dos heróis de Watchmen é composta por pessoas comuns que se dedicaram a aperfeiçoar seu físico e combater o crime por trás de uma máscara. São seres comuns, repletos de coragem, mas com todas as falhas dos seres humanos (algo que, na época, praticamente nenhum herói de quadrinhos demonstrava ter). O único ser com algum poder anormal é o Dr. Manhattan, um físico que sofre um acidente e passa a ter superpoderes. Apenas um personagem ser super-humano é mais uma crítica de Moore ao fato de que um acidente assim é tão improvável que dificilmente aconteceria com mais de uma pessoa, enquanto nos quadrinhos de heróis convencionais todos ganharam seus poderes em acidentes e outras convenções do gênero.

Sem querer desmerecer Gibbons ou Higgins, as obras de Moore usualmente parecem independer de artistas. Aliás, imagino que ele seja um pouco frustrado por não ser um grande desenhista e poder fazer seus trabalhos sozinho. Ver um script de uma edição de Watchmen é impressionante. Moore por vezes usa uma página inteira para descrever um único quadrinho. Contudo, o mestre geralmente consegue criar uma conexão com seus desenhistas, fazê-los pensar, se adaptar ao seu estilo de trabalho e, apesar de não parecer, os dá um pouco de liberdade. Gibbons foi fundamental no aspecto criativo do visual da série e no fato desta ter sido tão importante para a Nona Arte. Cada quadro foi pensado como parte de um conjunto. Moore acrescentou inúmeras referências, e Gibbons conseguiu pôr as suas na arte. É praticamente impossível conseguir desvendar cada detalhe desta obra tão impressionante. O site The Annotated Watchmen faz uma tentativa louvável. Um exemplo de cuidado meticuloso com a série é um personagem do qual descobrimos a identidade secreta apenas em certo ponto da série, mas sempre que o mesmo aparece sem estar mascarado, demonstra ser canhoto, um fato que sua identidade mascarada também demonstra ser. Poucas pessoas reparam nesses detalhes, mas Moore faz questão deles.

Bem, não seria um post sobre Watchmen se eu não fizesse uma sinopse da história e apresentasse os principais personagens, correto? Pois bem, Watchmen se ambienta em Nova York, 1985, mas em um mundo onde inúmeros acontecimentos decorrentes da existência de super-heróis mudaram fatos marcantes da humanidade. Claro, os heróis comuns não tiveram tanta influência, mas o Dr. Manhattan sim. Como exemplo disso, ele foi enviado ao Vietnã e ganhou a guerra para os Estados Unidos. Essa vitória deu a Nixon autonomia para permanecer no poder por muitos anos, estando em seu quinto mandato quando do início da narrativa. O Dr. Manhattan ainda possibilitou a existência de carros elétricos sem maiores custos (hoje eles existem, mas são ainda muito caros), e os hidrantes das ruas foram substituídos por conectores para reabastecer a eletricidade dos veículos. Muitas coisas são diferentes no mundo, como o uso de dirigíveis como meio de transporte. A história da série remonta aos anos 40, quando surgiram os primeiros heróis e estes resolveram se reunir, formando os Minutemen (ou Homens-Minuto), um nome que remonta às milícias americanas na Guerra da Independência, que ganharam esse nome devido à sua capacidade de rápida reação aos ataques dos colonizadores ingleses. Entre os Minutemen estavam Hollis Mason, o Coruja; Sally Júpiter, a Espectral; e Eddie Blake, o Comediante. O Comediante logo deixa a equipe e a Espectral se aposenta para casar-se com seu empresário. Eis que nos anos 60 novos heróis surgem para substituir os antigos, e uma nova equipe tem início, os Watchmen (ou algo como Vigilantes), com o segundo Coruja (Dan Dreiberg), a segunda Espectral (Laurie, filha de Sally), o Comediante novamente, Ozymandias (Adrian Veidt), Rorschach (identidade desconhecida) e o Dr. Manhattan (originalmente o dr. Jon Osterman). Novamente a iniciativa não dura muito e nos anos 70 uma lei é aprovada proibindo heróis mascarados. O Comediante trabalha para o governo e continua fazendo isso. O Dr. Manhattan permanece oferecendo seus serviços como cientista. Ozymandias revelou sua identidade ao público e se aposentou antes mesmo da lei, e se torna um executivo bem-sucedido. O Coruja se aposenta, assim como a Espectral. Mas Rorschach continua atuando como herói, mesmo sendo fugitivo da polícia por fazer isso.
A narrativa tem início quando o Comediante é assassinado e, investigando o crime, Rorschach desconfia se tratar de um plano contra os mascarados. Dan Dreiberg é um apaixonado por aves que decidiu investir sua gorda herança na tecnologia necessária para se tornar um herói, construindo sua própria nave e equipamentos que lembram os do Batman. Laurie começou nessa carreira aos 15 anos, empurrada por sua mãe. Mas logo se apaixonou pelo Dr. Manhattan e vive com ele até o início da história. Veidt é considerado o homem mais inteligente do planeta, e traçou seu caminho como o de Alexandre, o Grande, buscando ser um empresário justo e sábio. Rorschach é uma figura sombria, atormentada e extremamente violento para com os criminosos. Certamente o personagem mais complexo da revista, seu nome tem origem no dr. Hermann Rorschach, que descobriu as manchas de tinta da máscara do personagem que, aplicadas em papéis/placas, são submetidas a pessoas e as interpretações que estas fazem das manchas geram uma análise psicológica de seus perfis. As manchas da máscara de Rorschach (explicadas nos quadrinhos) mudam de acordo com seu humor.

Bom, deixo abaixo algumas imagens dos quadrinhos. Watchmen é certamente uma das melhores histórias já escritas, com inúmeros significados e sub-plots, e nuances que só podem ser captadas após cinco leituras. Recomendo a todos que apreciem uma história de investigação, com toques de heroísmo, drama, romance, terror e suspense.



(O bottom do Comediante, uma das grandes marcas da história, e a mancha de sangue que depois é comparada com um relógio amarelo com ponteiros vermelhos)


(Rorschach)


(Os Minutemen)


(Os Watchmen, da esquerda para a direita: em cima o Dr. Manhattan e o Comediante; logo abaixo, a Espectral e Ozymandias; em seguida, o Capitão Metrópole - um herói dos anos 40 que tentou prosseguir, mas logo se aposentou - e o Coruja; e na parte de baixo, Rorschach)


Para finalizar, uma apresentação bem antiga de Bob Dylan com The Times They Are A-Changing, trilha-sonora do filme de Watchmen e que se encaixa perfeitamente à história.